Tribuna do Leitor

Ao meu amigo Chamadoira


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Um estranho silêncio nos rodeia. A falta repentina de um irrequieto parceiro de versos e prosa deixa um vazio imenso. Os momentos literários nas reuniões da ABLetras nunca mais serão os mesmos. As participações e os apartes do "Chama" não mais apimentarão os debates.

A sua partida repentina e inesperada agora justificam a sua pressa nas contraditas. Você, inconscientemente pressentia que não teria muito tempo entre nós.

Para mim, a sua maior qualidade era a capacidade que você possuía de despojar-se das titulações e tornar-se um aprendiz das coisas mais simples da vida. Amigo, quando lembro da Neidy (sua esposa) lendo algum texto ou verso seu, nas nossas reuniões informais ao som da sua gaita, as lágrimas turvam o meu olhar.

A saudade é grande!

Sabe, tenho a certeza de que você já deve estar agitando alguma reunião literária onde quer que esteja, cercado de tantos poetas que o receberam com todas as honras.

Sei também, que você nunca vai ser um pontinho de luz no céu, nem uma estrala solitária no horizonte, como dizem as lendas ... Você vai ser um cometa luminoso, que qualquer dia desses um astrônomo vai descobrir e, inadvertidamente, dar o nome de "Chama". Com todo o carinho e respeito que você e seus familiares merecem.

Josefina Fraga

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