Brasília - No dia em que a resistência pública à sua candidatura ganhou força, Renan Calheiros (PMDB-AL) conseguiu controlar uma das principais ameaças internas para sua volta ao comando do Senado.
O alagoano patrocinou acordo entre os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), que disputavam nos bastidores o cargo de líder da bancada do PMDB no Senado. O grupo de Renan temia que o racha provocasse a divisão do partido e o lançamento de outro nome do PMDB para disputar a presidência da Casa na eleição marcada para amanhã.
Eunício ganhou a liderança, onde deve permanecer até 2015. Jucá aceitou ser indicado para a segunda vice-presidência do Senado.
Renan renunciou ao comando do Senado em 2007 após uma série de acusações de irregularidades, mas conseguiu pavimentar nos bastidores a sua volta e é o favorito para a disputa, contando com o apoio do Palácio do Planalto, da maioria dos partidos governistas, além de algumas siglas da oposição.
A ampla solidez da candidatura, entretanto, tem sofrido abalos nos últimos dias. Hoje foi a vez de o PSB anunciar que não apoiará Renan, decisão que contou com o aval do presidente nacional da sigla, o governador Eduardo Campos (PE). Campos é um dos nomes cotados para disputar a presidência da República em 2014.
Hoje, a bancada do PSDB deve formalizar decisão no mesmo sentido.
Líder dos tucanos, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o partido não pode defender o retorno de Renan pois isso traria de volta “o desgaste à instituição”.
Antes, o grupo de senadores que se diz independente, como Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT), também já tinha se colocado publicamente contra Renan.
Mesmo assim, o alagoano segue favorito. Seu grupo calcula que ele terá entre 53 e 68 votos dos 81 senadores. Se vencer, Renan comandará Casa com orçamento previsto de quase R$ 5 bilhões neste ano.