O premiê espanhol, Mariano Rajoy, se pronunciará neste sábado (2) sobre o escândalo de corrupção divulgado pelo jornal "El País" na última quinta.
Segundo o jornal, diversos dirigentes do PP (Partido Popular, de direita), do qual faz parte Rajoy, receberam pagamentos ilegais em dinheiro vindos de empresas privadas. O próprio premiê teria recebido entre 1997 e 2008, pagamentos trimestrais ou semestrais que somavam 25,2 mil euros ao ano.
A vice de Rajoy, Soraya Saenz de Santamaría, se recusou a comentar o caso após uma reunião de cúpula hoje, mas afirmou que o premiê falaria após uma reunião extraordinária do partido no dia seguinte.
Os documentos, na forma de cadernos manuscritos com registro de entradas de dinheiro, revelam mecanismo que lembra bastante o utilizado no Brasil, no chamado "mensalão", conforme ficou provado no julgamento do Supremo Tribunal Federal. O PP nega as transações ilegais.
O procurador-geral espanhol, Eduardo Torres-Dulce, afirmou que há indícios suficientes para que as acusações sejam investigadas, e que Rajoy poderia ser interrogado, se necessário. Segundo declaração dada ao canal 13TV, Torres-Dulce deve se decidir entre abrir um novo inquérito ou incorporar as alegações a um outro caso, já em curso, nos próximos dias.
Partidos de oposição pediram explicações do premiê e de outros membros do PP, chegando a aventar a possibilidade de renúncia e convocação de novas eleições.
Nos papéis obtidos por "El País", figuram numerosas doações de empresas da construção civil, entre elas três envolvidas no chamado caso Gürtel, em fase de tramitação judicial. O novo escândalo abala ainda mais a credibilidade de Rajoy, 57, cujo governo enfrenta uma forte recessão e um dos maiores índices de desemprego da União Europeia.
Rajoy --tido amplamente pela população como um político tedioso, mas honesto-- pediu aos espanhóis, em discursos recentes, que se preparassem para um período difícil em apoio à política de austeridade fiscal usada pela Europa para sair da crise.
Os documentos do "País"" teriam sido mantidos por dois ex-tesoureiros do PP, Álvaro Lapuerta e Luis Bárcenas. Este último renunciou ao cargo após juízes terem iniciado investigações sobre seu possível envolvimento em pagamentos ilegais para membros do partido vindos de empreiteiras e outras empresas que adquiriram contratos com o governo espanhol.
A investigação revelou que Bárcenas possui uma conta bancária na Suíça que chegava a 22 milhões. Seu advogado alegou que a quantia foi obtida por meios legítimos.