Santa Maria - Bruno Portella Fricks, 22 anos, que ficou ferido no incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), morreu por volta das 22h de anteontem. Com a morte, subiu para 237 o número de vítimas da tragédia.
O jovem estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. As causas da morte não foram informadas.
Bruno era torcedor do Grêmio e tinha se formado em administração, na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) no ano passado. Ele trabalhava na ALL (América Latina Logística).
O fogo na boate Kiss teria começado na espuma de isolamento acústico da boate, após um integrante da banda Gurizada Fandangueira manipular um sinalizador. Faíscas atingiram o teto e iniciou as chamas. O guitarrista da banda afirmou que o extintor de incêndio não funcionou.
Sobreviventes relataram que, antes de perceberem o incêndio, os seguranças teriam impedido os jovens de saírem sem pagar.
A maioria das vítimas morreu por asfixia durante a festa promovida por alunos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Muitas foram encontradas amontoadas nos banheiros, por onde tentaram fugir do fogo.
No local, havia apenas uma uma porta, que funcionava como a única passagem de entrada e saída da boate. Bombeiros e sobreviventes quebraram a fachada da casa noturna a marretadas para retirar as pessoas.
A boate Kiss, com capacidade para até 691 pessoas, recebeu entre 900 e 1.000 no dia do incêndio, de acordo com a polícia.
A direção da boate Kiss divulgou nota afirmando que a casa estava dentro da normalidade e creditou o incêndio a uma “fatalidade”.
Missas
Familiares e amigos das 236 vítimas do incêndio organizaram diversas missas de 7º dia na cidade para relembrar os mortos. A emoção tomou conta em reuniões em grandes igrejas e templos mais singelos, encravados em zonas residenciais.
Familiares e amigos de Letícia Vasconcellos, 36 anos, que trabalhava na recepção da boate Kiss, e do estudante Alex Giacomelli, vítimas do incêndio que matou outras 234 pessoas em Santa Maria no último domingo, participaram de uma missa de sétimo dia ontem.
A cerimônia começou pontualmente às 19h, na igreja do Amaral, em Camobi, bairro da cidade próximo à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). “O momento é de uma emoção incrível. Nunca poderia imaginar algo assim com a minha sobrinha, uma mulher tão forte”, disse a tia de Letícia, Nancy Romano, 72 anos, ao entrar na pequena capela.
Letícia deixou um casal de filhos - Vinícius, 13, e Júlia, 6 -, que também estavam na igreja. Sua irmã, Vanessa Gisele Vasconcellos, que também havia trabalhado na boate, disse em depoimento à polícia que o local vivia superlotado e sem extintores.
Alex Giacomelli, outra vítima homenageada na cerimônia, era estudante de agronomia da UFSM e trabalhava como técnico agropecuário na empresa Stara.
Durante todo o dia, parentes e amigos de vítimas da tragédia participaram de missas de sétimo dia. Às 21h30, haverá uma missa em memória de todos os 236 mortos, na Basílica Nossa Senhora Medianeira.
Centenas de pessoas se reuniram em uma missa na Igreja Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria. O nome de todas as vítimas da tragédia foram lidas no início da celebração. Muitos jovens participaram das celebrações para relembrar as vítimas do incêndio.
Familiares usaram camisetas com mensagens e fotos dos mortos. Frases de músicas interpretadas pelo grupo Legião Urbana também foram mencionadas.
Faixas e cartazes lembraram as vítimas da tragédia de Santa Maria em uma procissão em homenagem a Nossa Senhora de Navegantes, na manhã de hoje, em Porto Alegre.
Milhares de pessoas caminharam por ruas da capital gaúcha para celebrar a santa. Em uma missa, também houve homenagem à memória dos 236 mortos no incêndio.
A prefeitura esperava um público de 150 mil pessoas no evento, mas ainda não há uma estimativa do comparecimento pela Brigada Militar, a PM gaúcha.
O dia 2 de fevereiro é feriado em dezenas de cidades gaúchas devido à padroeira. Em Porto Alegre, a procissão ocorre há mais de 130 anos.