Internacional

Violência policial aumenta crise no Egito

Folhapress
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Cairo - Acuado por protestos contra seu governo que já duram duas semanas, o presidente egípcio Mohamed Mursi se viu ontem obrigado a pedir à polícia que respeite os direitos humanos e aja dentro da lei, além de suportar uma baixa em seu gabinete.

Em discordância com a ação repressiva da polícia, o ministro da Cultura, Mohamed Saber Arab, renunciou ontem ao cargo.

A brutalidade policial contra manifestantes na praça Tahrir - registrada em vídeo divulgado na sexta pela agência Associated Press - acentuou a crise deflagrada pelos protestos que marcaram o segundo aniversário da revolução que pôs fim aos 30 anos da ditadura Hosni Mubarak.

A oposição denunciou ontem que um manifestante foi torturado até a morte pela polícia. Organizações de direitos humanos investigam alegações semelhantes.

Mais de 60 manifestantes já foram mortos desde o início dos protestos, que se misturaram a uma onda de indignação pela sentença judicial que condenou à morte torcedores acusados de matar rivais numa partida de futebol em Port Said, em 2012, levando à decretação do estado de emergência em três cidades do país.

A Frente Nacional de Libertação (FNS) afirmou no sábado que iria “se alinhar aos pedidos do povo egípcio pedindo a queda do regime de tirania e dominação”.

Ontem, porém, porta-voz da FNS afirmou que o grupo não atua para a saída de Mursi do poder, sete meses após a eleição democrática, mas que espera que o presidente respeite as “regras do jogo”.

A violência da repressão era também marca do regime de Mubarak. Após a divulgação do vídeo que mostra um homem sendo despido e espancado pela polícia na praça Tahrir, o Ministério do Interior prometeu investigar o episódio. O gabinete de Mursi afirmou que as imagens são “chocantes”.

Segundo a sigla Corrente Popular Egípcia, o ativista Mohammed al Guindi foi eletrocutado pela polícia e morreu em um hospital cairota. Ele estava desaparecido desde os protestos do último dia 27 na praça Tahrir.

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