Santa Maria - A cúpula da Segurança Pública do Rio Grande do Sul esteve ontem em Santa Maria e visitou o quartel dos bombeiros da cidade. A atuação de membros da corporação para concessão e renovação do alvará da boate Kiss está sendo investigada em um inquérito militar.
O alvará dos bombeiros da casa noturna estava vencido desde agosto de 2012. O dono da boate pediu em novembro uma vistoria para renová-lo, mas a visita dos bombeiros nunca ocorreu. A concessão do primeiro alvará, em 2009, também está sob suspeita. Como apontou relatório do conselho de engenharia (Crea) revelado ontem, as saídas do local estavam em desacordo com as normas estaduais.
O secretário de Segurança Pública, Ayrton Michels, repetiu as palavras do governador, Tarso Genro (PT), que afirmou na semana passada que a Kiss não poderia estar funcionando. “Agora vamos apurar por que ela estava funcionando”, disse o secretário, em entrevista na delegacia regional de polícia. “Tudo indica que há um compartilhamento de responsabilidades”, afirmou.
Antes de deixar a delegacia, Michels fez uma “indagação aos jornalistas”: “Em qualquer lugar do mundo, quem controla prazos de alvarás?”, disse, referindo-se à administração municipal.
Pela legislação gaúcha, o alvará dos bombeiros é pré-requisito para a concessão do alvará de funcionamento, expedido pela prefeitura.
O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB) - adversário político do governador - disse na semana passada que o alvará de funcionamento da Kiss estava válido até abril e que, portanto, não cabia à prefeitura interditar a boate.