Regional

Botucatu ganha colégio da Embraer

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Diretores da Embraer e prefeito de Botucatu, João Cury (PSDB) descerram faixa

Botucatu- A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), por meio de seu Instituto de Educação e Pesquisa, inaugurou ontem, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), sua segunda escola modelo focada no ensino de excelência para alunos oriundos da rede pública de ensino.

O prédio, com cerca de 3.500 m2, localizado ao lado da fábrica da empresa na cidade, deverá abrigar, nos próximos anos, um total 360 alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Médio das cidades de Botucatu, Anhembi, Areiópolis, Bofete, Itatinga, Pardinho, Pratânia e São Manuel.

O evento de inauguração aconteceu de manhã, mesmo dia em que a primeira turma do novo colégio, com 120 alunos no 1º ano do Ensino Médio, iniciava o ano letivo.


10 vezes mais

A inauguração da escola Casimiro Montenegro Filho reuniu autoridades de diversos municípios da região, além do vice-presidente da Embraer, Artur Coutinho, e o secretário de Estado do Desenvolvimento, Luiz Carlos Quadrelli, que representou o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

“A escola da Embraer vem de encontro com as metas do governo e se mostra um modelo no que diz questão a aprovação de alunos da rede pública em universidades públicas. Infelizmente, a educação no país ainda carece. Após o carnaval, faremos contato com a Embraer para realizar um estudo de aplicação desse sistema na rede pública de ensino”, projeta o secretário.

De acordo com o vice-presidente da Embraer, cada estudante deverá custar para a empresa uma média de R$ 15 mil anuais, quase 10 vezes mais do que o Estado investe em um aluno do ensino convencional.

“A intenção da Embraer é instalar essas escolas em todas as cidades que possuem as fábricas da empresa, para retribuir à população o acolhimento recebido”, acrescenta Artur, explicando que os alunos formados na unidade não possuem compromisso algum quanto ao seguimento de carreiras visadas pela empresa. “Às vezes acontece de um ou outro aluno gostar e acabar ingressando na Embraer futuramente, mas esse não é o nosso objetivo”, reforça.


Salto de qualidade

A nova escola funciona em um prédio de 3.500 m2 e possui mais de 20 salas entre laboratórios e salas de aula. A unidade seguirá os moldes do colégio da Embraer, Juarez Wanderley, em São José dos Campos, que já formou 1.800 alunos desde sua criação em 2002.             

Grande parte do corpo docente é formada por mestres e até doutores. Além das atividades em classe, os alunos participarão de trabalhos extracurriculares em laboratórios equipados com aparelhos e objetos de estudo de última geração, que garantirão a orientação em todas as áreas profissionais.

O modelo educacional, desenvolvido e aperfeiçoado ao longo dos dez anos de atividade do primeiro Colégio Embraer, fundamenta-se em três objetivos: excelência acadêmica, orientação para o mundo do trabalho, e formação cultural, social e ambiental.

“Nosso objetivo é formar estudantes preparados para a vida e para o mercado profissional. Eles visitarão fábricas, hospitais, agências, museus, feiras culturais e vários outros lugares”, destaca Pedro Ferraz, superintendente do Instituto Embraer Educação e Pesquisa.

Integralmente mantido pela Embraer, o colégio é visto com um dos melhores do Estado de São Paulo, conforme mostram os resultados obtidos pelos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

De acordo Pedro Ferraz, os alunos da unidade em São José dos Campos têm conquistado até 100% de aprovação nos vestibulares, sendo mais de 87% nas universidades públicas.

Sobre a instalação da unidade, o prefeito de Botucatu, João Cury Neto (PSDB), ressalta que a instituição deve beneficiar ao menos 35 mil estudantes de Botucatu e região.

“É um momento da quebra de paradigmas. Temos muita dificuldade para implantar o sistema de ensino integral, com essa grandeza, na cidade. A educação ainda é um desafio para nós. Essa escola representa um salto de qualidade e é um modelo a ser seguido tanto pelos colégios particulares quantos para as escolas públicas”, pontua João Cury.

 

 

'É outro mundo'

Na inauguração da escola, as autoridades presentes visitaram as instalações da escola, que demandou investimentos de R$ 5 milhões e levou três anos para ser concluída. A visita foi guiada pelos próprios alunos. Para o estudante Lucas Sagriolo, 14 anos, o ingresso na escola foi uma conquista. “Tive que estudar bastante antes de fazer a prova para seleção. Mas, valeu a pena, essa escola é outro mundo. Todos ficaram muito felizes quando souberam que eu passei”, ressalta o Lucas, apontando as diferenças da nova unidade com a Escola Estadual Cardoso de Almeida, em Botucatu. Para conseguir uma vaga no colégio integral da Embraer é preciso ter menos de 18 anos de idade e passar no concurso promovido pela unidade ao final do ano. No ano passado, dos 1.200 estudantes que participaram apenas 120 conseguiram a vaga para as turmas abertas.


Os alunos selecionados recebem bolsa integral de estudos, uniformes, materiais didáticos, alimentação na escola e transporte.

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