Tribuna do Leitor

Socorro, polícia!


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Como leitor assíduo da "Tribuna do leitor" do JC, em 30/01, quarta-feira, chamou-me atenção a carta "Socorro, polícia!", do sr. Ben Hudson Bonetti Rego, onde ele pede que sejam tomadas pela polícia medidas urgentes para resolver o problema dos limpadores de parabrisa de carros que, nos semáforos, submetem ao terror com insultos e palavras ofensivas aos que recusam "tal serviço".

Cria-se, então, uma situação constrangedora e perplexa. São importunações que procuram "prestar serviços" que ninguém, no fundo, quer.

Esses tipos e outros tantos, como flanelinhas, guardadores de carro, enchem e disputam lugar em nossas ruas. Há também aqueles que prontificam ajudar no estacionamento. Feito o serviço, esperam a "recompensa". Se não a receberem, corre-se o risco de ter, na próxima vez, algum dano no carro.

Como acabar ou diminuir tais "profissões"? Não cabe só à polícia a solução deste problema que tem preocupado o autor da carta, mas também a nós como cidadãos cônscios de nossa missão. A nossa primeira atitude é de colaborar não dando esmola na rua nem pagando flanelinhas, limpadores de parabrisa e guardadores de carro, ou contribuindo com outros métodos de arrancar dinheiro.

Estas categorias existem porque a sociedade colabora com elas e as sustenta, às vezes com ajudas que ultrapassam qualquer emprego normal. Neste sentido, a existência destas categorias não se deve à miséria delas, mas à sua esperteza e à generosidade ou colaboração de grande parte da população, que as sustenta, como descargo de consciência de quem dá esmola para ajudar os necessitados. Se ninguém desse nada na rua, em pouco tempo nossa cidade ficaria mais humana e mais solidária, por paradoxal que possa parecer. É preciso criar instituições para ir ao encontro destas carências e ajudar pessoas a recuperar sua dignidade.

Professor Gino Crês

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