Internacional

Chanceler diz que não existem cidadãos das Malvinas

Folhapress
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Buenos Aires - O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, disse ontem que os habitantes das ilhas Malvinas não existem como instituição e que os moradores das ilhas são cidadãos britânicos que só moram no arquipélago.

A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva, quando o chanceler foi questionado sobre a recusa ao diálogo com o ministro britânico William Hague. “Não existem os “Falkland Islanders” (naturais nas ilhas Malvinas, em inglês). Existem os cidadãos britânicos que habitam as ilhas Malvinas”.

Anteontem, Timerman acusou Hague de se recusar a negociar sobre a disputa do arquipélago. A Chancelaria britânica rebateu em seguida, dizendo que lamentava o cancelamento da reunião com o argentino e pediu que Buenos Aires considere a participação dos kelpers (como são chamados os moradores do arquipélago).

Questionado ontem sobre a presença de moradores das Malvinas nas discussões, ele disse que não os aceitaria porque não estão incluídos nas resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas) que fazem menção à disputa territorial.

“Segundo a ONU, há duas partes no conflito: o Reino Unido e a Argentina. Se incluirmos uma terceira parte, estaríamos mudando mais de 40 resoluções da ONU. Não tenho que convencer ninguém do meu ponto de vista (em referência aos kelpers). Temos que aplicar a lei internacional e aceitar as resoluções.”

Ontem, Hague disse ser uma pena que Timerman não tenha participado da reunião entre ele, Jan Cheek e Dick Sawley, representantes do Parlamento das ilhas Malvinas. Em comunicado, a Chancelaria britânica deu seu apoio ao direito de autodeterminação dos moradores da ilha.


Petróleo

Além das críticas ao governo britânico, o chanceler argentino disse que o país continuará a processar as empresas que exploram petróleo nas Malvinas. “Vamos continuar a buscar ações legais contra estas empresas de hidrocarbonetos porque estão roubando os recursos naturais da Argentina.” A petição argentina, no entanto, é encarada por críticos como uma tentativa da presidente Cristina Fernández de Kirchner de tirar o foco da situação interna no país, em especial a crise econômica causada pela inflação e as restrições ao dólar.

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