Não era uma missa de sétimo dia. Após uma semana da morte de Vinícius Henrique da Silva, 18 anos, amigos realizaram, na noite de ontem, um protesto no bairro Jardim Redentor. Conhecido como Tibiano, o jovem morreu com um tiro disparado pela Polícia Militar (PM). Desde então, há duas versões sobre o caso. Enquanto a família pede justiça e fala até em execução, a polícia afirma que agiu em legítima defesa.
O protesto começou por volta das 20h30. Cerca de 20 pessoas se reuniram segurando cartazes com a palavra “Justiça” na rua São Matheus, onde Tibiano morreu. Três viaturas da PM estacionaram a alguns metros da manifestação.
Os amigos marcharam pela via e, ao chegar ao ponto em que o jovem tomou o tiro, uma manifestante gritou ao fundo: “foi aqui que mataram o nosso ‘parça’”.
A morte de Tibiano ocorreu por volta das 22h do último dia 30. Ele foi atingido por um tiro disparado por um policial militar. O projétil acertou o ombro do jovem e, por conta da posição de seu corpo, atingiu outros órgãos.
A polícia afirma que estava no local para atender uma ocorrência de desinteligência e outra de disparo de arma de fogo, quando as viaturas se depararam com Tibiano. O jovem já era conhecido no meio policial, com passagens por dois roubos consumados, uma tentativa de assalto e um homicídio no Jardim Redentor em dezembro de 2011.
Na versão da PM, na noite em que morreu, ele teria apontado uma arma para os policiais. Em legítima defesa, um deles disparou sem a intenção de matar Tibiano.
Contudo, família e amigos contestam essa versão. Desde o começo acusam a PM de execução. Foi isso que motivou o protesto na noite de ontem.
“Foi errado o que eles fizeram. Por isso, vim aqui pedir justiça. Eu era amiga do Tibiano. Tem que mudar muita coisa”, disse uma estudante, que, assim como os outros, pediu para ter a identidade preservada.
Os presentes acreditam que não foi somente a chuva que coibiu os amigos do jovem a participar em maior número da manisfestação. Muitos afirmam estar com medo de mostrar o rosto. “Eles (a PM) estão rondando o bairro e coagindo as pessoas desde que tudo ocorreu”, critica, outro manifestante.
Além da imprensa, um homem estava no local com uma câmera filmadora e uma máquina fotográfica. Os manifestantes afirmaram se tratar de um policial à paisana.
Execução
Apesar de a PM reafirmar a legítima defesa, os amigos continuam falando em execução. O caso é investigado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais. Contudo, foi colocado sob segredo de Justiça. Até o momento em que os detalhes podiam ser divulgados, o delegado Kleber Granja afirmou que nenhuma testemunha deu uma versão oposta a apresentada pelos policiais.
Ontem, uma mulher de 33 anos alegou ter presenciado o ocorrido. “Ele (Tibiano) veio de bicicleta e os policiais mandaram que parasse. Ele parou e deitou. Foi então que deram um tiro à queima-roupa”.
Questionada sobre o porquê de não prestar depoimento na Polícia Civil, a mulher disse temer represálias contra ela e também sua família.
PMs envolvidos estão de férias
Apesar de os nomes dos policiais envolvidos na ocorrência não terem sido divulgados, a PM informou ontem que eles estão de férias. Porém, o oficial o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, afirma que são férias normais, ou seja, nada relacionado à morte de Tibiano.
Ele explica que os policiais ainda não passaram pela avaliação psicológica que é padrão em casos como esse. “Mas eles podem passar por essa avaliação mesmo estando de férias”, explica.
O capitão ainda complementa que a corporação segue com seu procedimento de apuração. Já o inquérito de investigação da Polícia Civil, como está sob segredo de Justiça, não é divulgado para a PM.