Polícia

Risco de explosão mobiliza bombeiros em posto no Centro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

O risco de explosão em um posto de combustíveis desativado no Centro mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil na manhã de ontem, em Bauru. Após atos de vandalismo que, segundo comerciantes das imediações, teriam sido causados na madrugada por usuários de drogas, os lacres de dois tanques subterrâneos – com capacidade para 15 mil litros de etanol e gasolina- foram arrancados ocasionando a evaporação de gases inflamáveis e risco iminente de explosão.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 8h pelo proprietário de uma oficina mecânica vizinha do antigo Posto Real, que fica no cruzamento entre as ruas Antônio Alves e Inconfidência.

O comerciante relata ter entrado em desespero ao sentir o forte cheiro que vinha do local e constatar a violação das tampas de proteção dos tanques. “Se alguém jogasse uma bituca de cigarro aqui, tudo iria pelos ares. Fiquei em pânico quando vi a situação do posto e o forte cheiro de combustível que tomava o quarteirão, inclusive a oficina”, conta o comerciante Edmilson de Souza, 36 anos.

O Corpo de Bombeiros permaneceu por quase duas horas no local preservando os arredores do posto e realizou uma intervenção despejando produtos químicos para diminuir o risco de explosão nos tanques.

“Medimos quase 15 centímetros de combustível no tanque de gasolina e 5 centímetros no de etanol. Provavelmente, o proprietário não deve ter notado que a bomba não conseguiu puxar tudo quando o posto foi desativado. Despejamos água e espuma química para diminuir os riscos”, disse o sargento do Corpo de Bombeiros, Paulo Plana.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, a estimativa é de que o local, mesmo desativado, ainda possua de 100 a 300 litros de combustível em seu subsolo. “Qualquer faísca pode causar uma explosão se os tanques continuarem expostos dessa forma. Iremos contatar urgentemente a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que é a responsável por fiscalizar a desativação dos postos na cidade”, aponta Brito.

Por volta das 9h30, os tanques receberam o tratamento químico providenciado pelos bombeiros. Durante a ação, o proprietário do antigo posto de combustível compareceu ao local munido dos novos lacres.

Caso os lacres não tivessem sido providenciados de maneira rápida, a Defesa Civil informou que seria necessária a interdição do perímetro referente às quatro ruas que dão acesso ao local.


Alarme não teria disparado

Sobre a ocorrência, o proprietário do antigo Posto Real, o empresário Danilo de Souza, 30 anos, informou que o local está desativado há quatro meses e possui alarme, porém o equipamento não teria disparado diante das invasões.

Além disso, o empresário destaca que os tanques teriam sido completamente esvaziados antes de o estabelecimento ser desativado. “Contratamos um profissional que fez toda a descontaminação e colocou água e produtos químicos dentro dos tanques. Talvez tenha ficado apenas o cheiro”, alega.


Vandalismo

Além do problema causado pela violação e furto dos lacres dos tanques subterrâneos de gasolina e etanol, os portões arrombados e a quantidade de lixo e cobertas jogados ao chão evidenciavam a onda de vandalismo que acometeu o antigo posto entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem.

“Toda noite os usuários de drogas ocupam esse lugar para dormir e fumar. Nessa madrugada mesmo (ontem) uma mulher foi socorrida pelo Samu tendo ataques de convulsão ali dentro”, reforça Edmilson.

Entre produtos e equipamentos furtados e danificados, o proprietário do posto estima um prejuízo na ordem de R$ 15 mil.


Fiscalização é precária

Questionada, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Ceste), responsável pela fiscalização dos postos de combustíveis desativados, informou que irá cobrar o laudo de passivo ambiental por parte da empresa em questão.

“Não possuímos registro de desativação em nome desse posto de combustível”, aponta o gerente da Cetesb Alcides Tadeu Braga. O documento comprova a não contaminação do solo e a destinação correta dos tanques após a desativação do posto.

“Os postos não podem ser ativados ou desativados de uma hora para outra sem a liberação da Cetesb”, reforça.

Apesar disso, o gerente admite que a companhia possui dificuldades para a fiscalização dos postos de combustíveis desativados no município, que hoje já ultrapassariam dez unidades, conforme o JC apurou.

“São mais de 200 postos de combustíveis em toda a cidade, fora o contingente dos outros 29 municípios que atendemos. Geralmente, a prioridade é para fiscalização e licenciamento dos locais que estão em plena atividade. Temos dificuldade em contatar os responsáveis pelos locais desativados”, afirma. Na Cetesb, oito técnicos cuidam dessas liberações.

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