Bairros

Do abandono à revitalização

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

“Um centro comunitário é o coração de uma associação. Nesses espaços a comunidade encontra atividades de lazer, de aprendizado e podem reunir amigos e familiares para festas de aniversário, casamento, eventos beneficentes...”, enumera Lourdes Martinele, presidente da Associação de Moradores do Jardim Godoy.

Em alguns casos, como acontece no Ferradura Mirim, por exemplo, os salões comunitários são usados até mesmo como velório. De acordo com a presidente da associação do bairro, Gisele Moretti, o centro comunitário, inaugurado há poucos anos, foi uma conquista de muitos anos e representa uma das principais vitórias da união dos moradores.

Batalha também sentida por Lourdes, que lembra o estado de abandono que o prédio que hoje abriga projetos sociais voltados para a educação e para a melhoria na qualidade de vida da vizinhança, já se encontrou.

Ela acrescenta que as atividades beneficiam, principalmente, crianças e idosos e incluem aulas de capoeira, balé, atividades artesanais, ginástica e outras ações voltadas para a terceira idade  devido a uma parceria feita com o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus.

“Não acho justo que um centro comunitário sirva somente para a realização de festas. Esses espaços também precisam enriquecer o cotidiano dos moradores. Entretanto, foi preciso muito trabalho para alcançar os resultados que temos hoje. Para conseguir os recursos necessários para a reforma do espaço, promovemos muitas festas, como Festa Junina, festa do pastel, e contamos com a colaboração da comunidade”, ressalta Lourdes.


Por outro lado...

Com associações pouco ou nada atuantes, alguns centros comunitários seguem desativados há anos. Alguns prédios, como o do Jardim Redentor, por exemplo, estão com as portas fechadas há mais de uma década, segundo contam os moradores do bairro.

O cenário é desolador: portões trancados, vidros de janelas e portas quebrados, forro caindo, parte do teto desabando... “Aqui havia reuniões dos moradores, cursos de corte e costura, crochê, biblioteca, ginástica para os idosos, karatê para as crianças, festas de aniversário, casamentos... Hoje está assim”, lembra com saudade a dona de casa Maria Aparecida de Souza.

Assim como Maria Aparecida, os demais moradores da comunidade reclamam da depredação e da inutilidade do lugar. Alguns apontam a relevância que o espaço teria se fosse ativado para entreter e ensinar crianças em horários alternados aos da escola. Outros sentem pela falta de atividades para os aposentados.

E há quem ainda aponte outras soluções para o prédio.  “Dizem que ele precisa ser demolido por ter a estrutura comprometida pelo tempo e falta de manutenção. A construção de um novo salão seria o ideal, mas colocar um jardim no lugar também não seria nada mal”, opina a recuperadora de crédito Habsa Rejane da Rocha.


De tijolo em tijolo

No Núcleo Geisel, o centro comunitário passa por reformas depois de um período de abandono. Um muro já foi erguido e, de acordo com a presidente da associação, Olivia Arantes de Souza, é possível melhorar a comunidade se cada um fizer a sua parte.

“Trabalhamos em comunidade para a realização de festas beneficentes para melhorar o prédio que é de todos nós. O próximo passo é levar projetos culturais e cursos para o espaço”, projeta.


Usuários de droga

Assim como acontece com muitos imóveis abandonados no município, os centros comunitários desativados atraem usuários de drogas. “Seo” José Guedes dos Santos vive há 35 anos no Redentor e recorda com nostalgia dos bons tempos em que a associação de moradores e o centro comunitário funcionavam a todo vapor.

“Esse espaço servia para tudo por aqui. Fizemos a festa de noivado de uma irmã, festas dos batizados dos meus filhos... Foi uma tristeza ver que isso tudo virou boca de fumo. Por isso, os moradores se reuniram para pedir providências. Alambrados foram colocados para impedir a entrada do pessoal que vinha usar droga aqui, mas falar em reforma ninguém fala”.


Sear diz ter planos

Para 2013, estão previstas reformas de ao menos seis centros comunitários e a construção de um novo prédio na Vila Dutra, segundo Roselaine de Brito, secretária interina da Secretaria das Administrações Regionais (Sear).

“Ano passado reformamos o espaço do Jardim Godoy. Mas a nossa verba é pequena e, por isso, precisamos da ajuda das associações que conseguem o material de construção para que possamos entrar com a mão de obra”, defende.

Segundo Roselaine, apesar da divulgação e procura, a Sear não conseguiu que uma associação se interessasse pelo espaço desativado do centro comunitário do Redentor e, por isso, o prédio está em processo de transferência para a Secretaria da Educação, que precisa de um lugar para colocar seus projetos em prática.

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