Ciências

Os zangões e os jogos de guerra

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 5 min

O zangão não produz mel, nem participa da vida na colmeia. O macho das abelhas tem olfato e visão impressionantes: consegue detectar uma rainha virgem até dez quilômetros de distância. Ao mesmo tempo, protege a colmeia de invasores como vespas e formigas.

Os zangões, ou “drones” em inglês, emprestaram compulsoriamente seu nome para identificar-se Veículos Aéreos Não Tripulados ou VANT que aos milhares invadem os céus à busca de informação, segredos e poder, mesmo que as custas de vidas, invasão de privacidade, violação de direitos internacionais, sem ética e regulamentação. Os drones representam um dos assuntos mais discutidos nas conversas e discussões atuais.

Os drones representam o somatório de muito conhecimento científico, inovação e evolução tecnológica dos últimos 30 anos. Os primeiros aeromodelos eram controlados por finas cordas nas mãos dos operadores ou” pilotos” que faziam acrobacias em pistas circulares. Depois surgiram os aeromodelos por controle remoto, sem cordas e sem fios. As pistas passaram a ser retas e não mais circulares e os aeromodelos viajavam pelos céus cada vez mais distantes do operador.

Não demorou muito e câmeras foram instaladas nos aeromodelos e o operador controlaria à distância a altura e localização. As imagens permitem saber o que se está fazendo ou o que se tem nos locais por onde sobrevoa estes “inocentes” aviõezinhos. Se interessar, vá até uma loja de informática ou brinquedos e veja as opções de aeromodelos. O preço é pequeno e você pode colocar para viajar nas alturas aviões e helicópteros de vários tamanhos e modelos, controlando-os a partir do seu iphone, ipad ou ipod.

A sofisticação e as opções que lhe oferecem vão te impressionar. Os seus vizinhos, mesmo os distantes, não terão mais segredos e privacidade que resistam ao seu brinquedinho! Pode-se gravar as imagens no iphone! Piscinas, quintais, lajes, varandas, janelas abertas podem ser filmados! E se cair? Ninguém saberá que é seu e as imagens até aquele momento já estão gravadas e salvas.

Se você achar interessante pode acoplar nestes “brinquedinhos”: saquinhos de papel com pós, venenos, drogas, instrumentos, celulares e chips. Lá em cima, solta-se estes objetos sobre um presídio, piscina a ser envenenada, quintal no qual se jogará uma carne intoxicada para um cão inconveniente. Sem pistas.


Ciência e guerra

Os governos perceberam o valor deste “brinquedinho” e as indústrias passaram a fabricar os drones para fins militares. Além de espionagem e controle dos vizinhos e adversários, via imagens e gravações, os drones levam mísseis e bombas que com precisão atingem o alvo com um mínimo de erro, quase sem danos colaterais. O dono do drones não perde soldados e o custo é muito menor do que armas, tanques e aviões.

Os drones são controlados pelo computador e os “pilotos” treinados como jogadores de videogames. Os drones são verdadeiros jogos de guerra em 3D, mas alguns povos podem ser oprimidos mais ainda. Mas ..., quem se importa ... até o momento que seremos afetados!

Assim, Obama e seus militares atuam em países como Afeganistão, Paquistão, Irã, Iraque e muitos outros. Não se tem regulamentação de uso. Os drones tem vários tamanhos até como um jato para 10 pessoas. Os jatos de guerra já não precisam mais ser tripulados e muitos já não são! Todos os novos projetos de jatos de guerra são não tripulados. Os aviões agrícolas logo serão drones, ou seja, não tripulados.

Imagine o Brasil com seus drones controlando tudo no Paraguai, Argentina, Bolívia e Colômbia: colheita, movimentação de traficantes, minas, gás, transportes e o que se queira. Radares não detectam os drones! E o contrário: os EUA, a China ou a França fazendo isto no Brasil. Você gostaria?

Todos estes “avanços” não são publicados em revistas científicas, logo não são “científicos”. São conhecimentos que servem ao poder, ao lucro e ao predomínio de um povo e por isto não são publicados: isto é tecnologia, empreendedorismo ou ousadia, inovação ou surpresa!

O Brasil é um dos mais avançados entre os 40 países que produzem drones. Os mais velhos diziam: ... o feitiço pode virar contra o feiticeiro! O país avança rapidamente e, dentro do carro, não percebemos quanto estamos em alta velocidade. Não esqueçamos dos grandes sábios e cientistas que sempre alertam:

“Quanto mais um país domina a ciência e a tecnologia, mais se aproxima da guerra!” Na história do mundo, sempre foi assim, reflitamos!


Observatório

WikiLeaks e drones – Julian Assange desafiou publicamente o governo de Barak Obama a revelar documentos sobre o uso de drones em todas as partes do mundo, e mais especialmente no Iêmen, onde os utilizou para matar cidadãos estadunidenses aliados dos árabes rebeldes. Numa rara aparição na televisão, Assange condenou Obama por ter dado “luz verde” aos ataques de drones e argumentou: “É por isso que precisamos de organizações como a WikiLeaks. Eu desafio qualquer pessoa na Casa Branca que tenha acesso a essas regras e procedimentos, a trazerem-nas até nós. Vamos manter-vos no anonimato e revelar essas informações ao público”.

Base de drones – Os EUA tem uma base completa de drones na Arábia Saudita de onde partem em missões para vários países da região. A notícia estava “proibida” há dois anos, mas o assunto explodiu na imprensa depois que Obama indicou o homem responsável pelos drones para comandar a CIA. Perto de locais sagrados para os muçulmanos, esta base de drones está provocando a ira de muitos líderes árabes. Osama bin Laden começou a sua jihad contra os EUA pela presença de tropas estadunidenses em sua terra natal e perto de locais sagrados islâmicos na mesma Arábia Saudita. Apenas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, organizações independentes relatam que foram mortas mais de 3000 pessoas em ataques com drones entre 2004-12, sendo 176 crianças. Deputados europeus afirmam que é preciso regular a robótica na guerra, antes que se torne de tal forma expandida que seja difícil de parar.

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