Cidade do Vaticano - O Papa Bento XVI recebeu uma saudação calorosa ao entrar no salão de audiências do Vaticano, ontem, para uma de suas últimas aparições públicas antes do fim do mês, quando vai se tornar o primeiro Papa a renunciar em séculos.
Durante a audiência, o Papa disse que renunciou pelo “bem da igreja”. “Rezei por muito tempo e examinei minha consciência diante de Deus.”
O Papa disse que está consciente da dimensão de sua atitude, mas explicou que não seria adequado continuar sem a força que lhe é necessária.
“Me apoia e me ilumina a certeza de que a Igreja é de Cristo, que nunca nos faltará com sua guia e seu cuidado. Obrigado a todos pelo amor e pela oração com que têm me acompanhado. Continuem orando pelo Papa e pela Igreja.”
Bento XVI chegou à sala Paulo VI às 10h44 (7h44, horário de Brasília) e foi recebido por milhares de fieis que acenavam bandeiras de diversos países.
Escândalos
O irmão do Papa Bento XVI, Georg Ratzinger, disse em entrevista ao jornal espanhol “El País” que a renúncia do Papa não foi motivada pelos escândalos recentes envolvendo a Igreja Católica. Os escândalos, segundo ele, não teriam “nada a ver” com a decisão de Bento XVI.
Ratzinger disse que a decisão do irmão foi baseada na importância das tarefas do Papa - religiosas, diplomáticas, políticas e econômicas -, que, segundo ele “tem prioridade sobre a pessoa”.
Ele disse que falou com seu irmão poucas horas após o anúncio, feito na última segunda-feira, e que está seguro de que Bento XVI não irá exercer nenhum tipo de “influência indesejada” na eleição do seu sucessor.
A expectativa de Ratzinger, que vive na Alemanha, é que longe das funções de Papa, Bento XVI passe mais tempo junto dele: “espero que possamos passar mais tempo juntos, falando de teologia, de liturgia, de lembranças e experiências comuns”.