No início deste não escrevi artigo perguntando se o ano começaria somente após o carnaval. Elenquei inúmeros argumentos e fatos que demonstraram, ao menos na minha ótica, que o ano já havia começado e a todo vapor. Muita gente continuou em férias, marcou compromissos para após o carnaval e pergunta de agora é: e aí, o ano começa agora? Todos sabemos a resposta. Neste período, a inflação disparou, o governo faz tripas coração para fechar suas contas, o dólar opera abaixo de R$ 2,00 e até o Papa anunciou sua renúncia. Nas empresas, o ritmo é alucinante. Mesmo com o mercado operando mornamente, as atividades estão quentíssimas.
O orçamento está em plena execução. Por sinal, já está sendo confrontado o previsto com o realizado e eventuais realocações de recursos. No âmbito das vendas, as empresas já analisam se as metas serão cumpridas. Sentiram o mercado e agora refazem as contas para ver se o desempenho projetado será executado. O mercado de mão-de-obra também está a todo vapor. Novas contratações, promoções de cargos, enfim, a mobilidade do recurso humano é realidade. No âmbito das famílias, o orçamento doméstico já foi afetado pelo IPVA, matrícula escolar, acerto do estouro de fim de ano e os mais organizados já fazem seus cálculos para ver se o dinheiro será suficiente ou não para honrar todos os compromissos assumidos. No tocando a vida pessoal para muita gente a fila andou. Relacionamentos foram desfeitos, outros iniciados, outros reatados, ou seja, não estão nem aí se o ano começaria ou não após carnaval. Na verdade, queremos é alertar que certas datas para a vida moderna são somente referenciais. No campo profissional, familiar ou pessoal a vida deve ser vivida intensamente, como se cada dia fosse o último. Assim daremos sempre o máximo que temos, tentando fazer a diferença. Fica evidente que por este prisma o ano já começou, ou melhor, não há que se dividir a vida em fatias, pois ela é um todo que deve ser construído diariamente.
Enquanto alguns conservadores se baseiam na tradição e mantém os paradigmas históricos, aqueles que estão mais atentos e antenados com a dinâmica do mundo moderno já estão colhendo frutos. Na conhecida estorinha da cigarra e formiga, a primeira só cantava e a segunda trabalhava. Quando veio a tempestade sabemos quem se deu bem. Não é preciso exagerar no tocante à condução da vida, mas é preciso ir além do óbvio e fazer a diferença. Todos devem lembrar-se da frase: "não é o maior que engole o menor e sim o mais o rápido é que ultrapassa o mais lento". Ficar parado no contexto atual é sinônimo de perda de oportunidades. Para quem não se deu conta desta dinâmica, feliz ano novo, afinal não há mais desculpas. Para os demais, vamos continuar agindo fortemente na empresa, na família e no pessoal!
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor regional do Corecon e articulista do JC