Uma doença praticamente erradicada voltou a assombrar Bauru neste início de ano. A cidade foi responsável pelo primeiro – e, até o momento, único - caso de sarampo em todo o Estado em 2013. Segundo informações do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde, a vítima é um homem de 20 anos, morador de Bauru, que viajou para a Flórida (EUA) recentemente.
O nome do paciente, assim como seu estado atual de saúde, não foram informados. O diagnóstico foi confirmado ainda em janeiro, mas divulgado pelo Estado apenas ontem. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, todas as ações de bloqueio e monitoramento das demais pessoas que tiveram contato com o jovem já foram tomadas à época da confirmação da doença, não havendo registro de transmissão a partir deste caso.
Em Bauru, não há registro de casos autóctones (contraídos na própria cidade) de sarampo nos últimos dez anos. No Estado, segundo o CVE, apenas quatro pessoas foram vítimas da doença entre 2001 e 2010. Em 2011, foram contabilizados 27 casos, que foram zerados novamente no ano passado. Desde 1998, ninguém morre em decorrência de sarampo no território estadual.
Mesmo tendo sido responsável pelo primeiro caso paulista da doença em 2013, Bauru não contará com campanha específica de vacinação para prevenir novas ocorrências. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, rotina habitual de imunizações nas unidades básicas de saúde será mantida, com checagem dos profissionais para que os pacientes mantenham suas vacinações em dia.
Jornada
A vacina tríplice viral, usada na prevenção contra o sarampo, protege também contra rubéola e caxumba. No calendário básico de vacinação, a primeira dose é aplicada aos 12 meses de idade e a segunda, entre 4 e 6 anos. Para quem nunca se imunizou e possui entre 7 e 19 anos, a recomendação é que recebam duas doses, com intervalo de 30 dias. As pessoas entre 20 e 50 anos não vacinadas devem receber ao menos uma dose.
“Foi com as vacinas que conseguimos controlar a doença de uma maneira muito eficaz na última década e só através dela a pessoa está protegida. Há casos raros em que a pessoa, mesmo imunizada, fica doente, mas os sintomas são sensivelmente abrandados”, observa a infectologista Maristela Pastore.
A circulação do Morbili vírus, transmissor do sarampo, ocorre em diferentes partes do mundo, como a Europa, Ásia, Oceania e África. Somente neste ano, há informações de circulação intensa no Reino Unido, Congo, Uganda e Paquistão.
Além do intenso trânsito internacional, interestadual e intraestadual de pessoas, a Secretaria Municipal de Saúde alerta que, em julho deste ano, cerca de 40 mil jovens, vindos de todas as partes do mundo, se reunirão no Rio de Janeiro para participar da Jornada Mundial da Juventude Católica. Por conta do encontro, do retorno das férias de verão e do início do ano letivo escolar, a orientação é manter a vacinação contra o sarampo atualizada, já que a doença viral é altamente transmissível. Em caso de dúvida, o melhor é procurar um médico de confiança ou a unidade básica de saúde mais próxima.
Doença pode levar à morte, alerta infectologista
A infectologista Maristela Pastore explica que o sarampo é uma doença potencialmente grave e pode matar pessoas que não foram imunizadas. Gestantes infectadas podem sofrer aborto ou parto prematuro.
“Quando não havia vacina, casos de morte e de consequências para mulheres grávidas eram frequentes”, frisa. O último surto da doença no Estado foi registrado em 1997, quando 23 pessoas morreram e quase 24 mil foram infectadas, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde.
O sarampo é uma doença infectocontagiosa provocada pelo Morbili vírus e transmitida por secreções das vias respiratórias, como gotículas eliminadas pelo espirro ou pela tosse. Os principais sintomas são manchas avermelhadas na pele, febre, tosse, mal-estar, conjuntivite, coriza, perda do apetite e manchas brancas na parte interna das bochechas.
Otite, pneumonia e encefalite são complicações graves do sarampo. O tratamento visa, basicamente, o alívio dos sintomas, com indicação de repouso, ingestão de líquido, alimentação leve, limpeza dos olhos com água morna e uso de antitérmicos para baixar a febre. Em alguns casos, há necessidade de tratamento para o aumento de imunidade.