Bairros

Incêndio atinge oficina em Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Neide Carlos

O perigo era que o fogo se espalhasse para as áreas vizinhas, o que não ocorreu

“Tem coisas que só vemos em Bauru”. Essa foi a frase de uma pessoa que presenciou o incêndio ocorrido ontem em uma oficina na quadra 1 da avenida Alfredo Maia, em Bauru. Ela se referia ao fato de, em minutos, o perigo mudar da água para o vinho, ou melhor, do fogo para a água. É que a chuva ajudou a apagar as chamas, porém causou a rotineira inundação daquele ponto.

O fogo começou por volta das 16h30 em uma oficina de amortecedores automotivos no local. Por sorte, ninguém se feriu. “Só vimos quando a fumaça começou. Foi muito rápido. Coisa de minutos”, conta Claudinei Aparecido da Silva, 37 anos, que trabalha em uma funilaria ao lado da oficina atingida.

As chamas se concentraram no depósito do estabelecimento, que, por sorte, fica em um cômodo separado de onde os carros são consertados. O local estava fechado e, temendo que houvesse alguém preso, funcionários e vizinhos usaram uma caminhonete para derrubar o portão.

Como havia pneus no depósito, era possível ver a fumaça a quilômetros de distância. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, para combater as chamas, teve a ajuda da chuva, que começou minutos depois.

O perigo era justamente que o fogo se espalhasse para as áreas vizinhas. Se já não bastasse o calor, veio outro susto. As chamas atingiram a fiação elétrica e um dos cabos se soltou. “O fio caiu e soltou várias faíscas”, conta Claudinei.

Foi preciso esperar a CPFL Paulista desligar a energia elétrica para completar os trabalhos. “Havia fogo embaixo dos escombros. Como alguns fios estavam soltos, foi preciso desligar a energia e terminar esse trabalho. Uma máquina da Secretaria de Obras revirou os escombros para acabar com essas chamas”, relata o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

Uma das preocupações dos bombeiros e da Defesa Civil durante todo o trabalho era porque havia, dentro do depósito, um grande cilindro de gás utilizado para solda. Os bombeiros isolaram os imóveis vizinhos temendo uma explosão. Foi preciso esfriar o recipiente.

No depósito, estava ainda o carro do proprietário da oficina de amortecedores. Assim como todo o cômodo, o veículo ficou completamente destruído.


Fogo e água

A mesma chuva que auxiliou o trabalho dos bombeiros em apagar o fogo criou uma situação, no mínimo, inusitada. Quem temia as chamas que se alastravam pela oficina passou a temer a inundação.

É que aquela via, a Alfredo Maia, já é conhecida pelos bauruenses como uma propícia a inundações. Bastaram poucos minutos de chuva para se confirmar a fama do local.

A água começou a subir e ameaçou invadir os estabelecimentos. Apesar da forte enxurrada que foi formada, a inundação não causou problemas maiores.

Após cerca de três horas de trabalho, o Corpo de Bombeiros encerrou os trabalhos. O proprietário irá avaliar os prejuízos hoje. Já as causas do incêndio serão investigadas.


Desespero

Imagine estar com o carro parado sem as duas rodas e ver as chamas se aproximando do veículo. Foi esse desespero que viveu o funcionário público Felipe Gaudioso, 20 anos.

Ele havia levado o veículo, um Gol, para consertar os amortecedores. “Eu deixei o carro aqui e fui buscar o dinheiro. Quando voltei, vi as chamas. Achei que era na oficina”.

Felipe conta que o desespero foi justamente por ver o perigo da situação e não poder fazer nada. “O carro estava sem rodas. O que eu podia fazer?”, questiona, mais aliviado ao ver o fogo controlado.

 

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