Éder Azevedo |
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Segundo Olga Bicudo, salários devem ser pagos ainda hoje |
Em meio a uma grave crise financeira, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru deve suspender, hoje, as aulas de educação especial ministradas a autistas por meio de convênio com o governo do Estado. Segundo o JC apurou, os 50 professores contratados para prestar o serviço teriam decidido pela paralisação em razão do atraso no pagamento dos salários de fevereiro.
Consultada, a presidente da Apae, Olga Bicudo, informou que a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo teria confirmado, via e-mail, que o repasse de R$ 70 mil referente à folha de pagamento seria depositado, ainda hoje, na conta da entidade. De acordo com ela, a demora teria ocorrido porque o convênio com o Estado está em fase de renovação e existem trâmites a serem cumpridos até que o novo acordo seja firmado.
“O convênio é interrompido no final do ano e os salários de janeiro são quitados com recursos da Apae. Mas, em fevereiro, não tivemos condições de fazer o pagamento em dia, porque o convênio com o Estado só foi renovado no final do mês”, pontua.
Olga explica que a negociação com os funcionários vinculados ao convênio se estendeu pelas últimas semanas. Ela teria sido informada no início da noite de ontem sobre a paralisação que deve interromper as atividades ao menos no dia de hoje, deixando 74 alunos autistas sem aula.
“Tentei explicar a situação, pedi paciência e tolerância, mas não houve acordo”, lamenta. Nenhum representante dos professores foi localizado para comentar o assunto.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que vai apurar os fatos para tomar as providências necessárias. “Cabe salientar que a pasta não teve oportunidade de verificar o caso em tempo de responder ao jornal, pois foi procurada pela equipe de reportagem somente às 19h20”.
‘Pior momento’
Segundo Olga, o detonador da bomba financeira em que se tornou a contabilidade da Apae teria sido o descredenciamento da instituição, em julho de 2011, para realizar o teste do pezinho. Mensalmente, a entidade realizava cerca de 4,5 mil testes e, pelo serviço, recebia aproximadamente R$ 100 mil.
“Hoje, nosso déficit é de R$ 73 mil mensais. Se não tivéssemos sido descredenciados, teríamos condições, inclusive, de pagar os professores dos autistas até que o convênio com o Estado fosse renovado”, pondera.
A presidente destaca que o atraso na folha de pagamento é apenas um dos problemas vividos pela Apae, que acumula uma dívida estimada em R$ 650 mil. “Temos uma dívida de R$ 3 mil relativa ao recolhimento do Programa de Integração Social (PIS), por exemplo, que não temos como pagar”, observa.
Atualmente, a associação atende cerca de 2 mil usuários carentes, sendo 500 alunos e 1,5 mil pacientes. Diante da crise, que Olga considera como “o pior momento da história da Apae”, o que tem oferecido certo fôlego são as doações recebidas pela entidade por meio dos associados, voluntários anônimos ou campanhas periódicas que, habitualmente, contam com ampla participação da sociedade.
Mesmo assim, a presidente afirma que a associação ainda corre risco de fechar as portas, já que a crise já se arrasta por quase dois anos e as dívidas estão se avolumando. “A população sempre se mobilizou, e sempre fomos gratos, mas estamos vivendo um momento muito crítico. Sempre tivemos dificuldades, mas todas foram solúveis. Agora, infelizmente, a Apae pode fechar a qualquer momento”, diz.
Apae coloca prédios à venda
Para tentar sanar suas dívidas, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru colocou dois de seus prédios à venda. O valor de cada um está estimado em R$ 650 mil e a intenção é de que apenas um deles seja, de fato, comercializado.
Nas instalações da rua José Ranieri, é prestado o Atendimento Educacional Especializado (AEE), por meio de convênio firmado com a prefeitura. O outro prédio, localizado na rua Rodrigo Romeiro, é fruto de doação e possui cláusulas contratuais que proíbem sua venda.
“Mas existe uma discussão judicial para que esta restrição seja transferida para outro prédio da Apae. É algo completamente dentro da legalidade”, explica a presidente da Apae, Olga Bicudo. Neste segundo prédio, ficam o setor administrativo e o laboratório do “teste do pezinho ampliado”, destinado a pais que desejam checar a saúde dos filhos quanto a 10 patologias.
Segundo a presidente, já existem dois interessados em comprar os imóveis e o dinheiro arrecadado será suficiente para saldar a dívida de R$ 450 mil da Apae, além de proporcionar uma reserva de caixa. A expectativa é de que a venda seja concluída já nos próximos dias.
‘Abrace esta causa’
Interessados em se tornar sócios-contribuintes da campanha “Abrace esta causa”, que é permanente, devem entrar em contato com a associação pelo telefone (14) 3104-2834.
O valor mínimo mensal é de R$ 10,00, que podem ser pagos por meio de boleto bancário. Associados que contribuem com valores a partir de R$ 20,00 têm direito a usufruir de descontos em convênios médicos, advocatícios e funerários mantidos pela Apae com vários profissionais e estabelecimentos da cidade.
