Éder Azevedo |
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Gisele Moretti: “Atendimento às mulheres vítimas de violência está sendo incrementado” |
No Dia Internacional da Mulher, a ala feminina da cidade tem o que comemorar, na opinião da presidente do Conselho da Condição Feminina, Gisele Moretti. Segundo ela, a rede de políticas de atendimento voltada à mulher vitimizada está toda implantada. “Temos a Casa Abrigo, o Centro de Referência e profissionais habilitados para o atendimento.”
O conselho reivindica a implantação de um protocolo que distribua à rede todos os casos registrados, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou no Pronto-Socorro, para que o trabalho apresente uma eficácia maior.
“A rede funciona bem, mas buscamos avanços porque procuramos sempre melhorar. Uma das bandeiras é que o serviço tenha um protocolo. Ele é importante porque quando a mulher der entrada em algum órgão público, a rede tem que saber o que está acontecendo. Esse assunto já foi colocado em pauta na reunião do conselho. É uma reinvindicação.”
O atendimento às mulheres vítimas da violência, segundo Moretti, está sendo incrementado. “Profissionais da área estão participando de um curso de capacitação para melhor atender o público feminino. Em muitos casos, a vítima por vergonha não conta a verdade, camufla. O profissional habilitado tem mais perspicácia para entender o que está acontecendo. O curso habilita as pessoas a identificar a violência física, patrimonial, psicológica.”
A questão política tem que avançar na cidade, ressalta Moretti. “É um orgulho para Bauru ter uma vereadora, uma vez que também contamos com uma presidenta. A mulher não pode desistir da luta de marcar seu espaço. Não ocupando o espaço dos homens, mas desbravando o seu que deve ser respeitado por toda a sociedade. Há lutas ainda a serem vencidas, como a questão do aborto.”
Preconceito
Apesar das conquistas, há setores da sociedade em que a mulher ainda sofre com o preconceito. A ala feminina é proibida de participar das lojas maçônicas tradicionais por conta de uma regra secular, ressalta a Venerável Mestre da Loja Maçônica Mista Liberdade nº 13, Luciana Scacabarossi.
Segundo ela, a mulher só é aceita nas lojas mistas – em Bauru há apenas uma desse gênero. “Existem regras da Idade Média que são imutáveis na Maçonaria. Elas dizem que as mulheres, assim como os deficientes físicos e escravos, não podem ingressar na instituição”.
Na opinião da Venerável Mestre, a Maçonaria tem que conservar sua tradição, seus rituais, seus ensinamentos, mas deveria evoluir nessa questão do ingresso de pessoas. Segundo ela, a Grande Loja Maçônica Mista do Brasil, instituição à qual a Loja Mista pertence, é de 1968. Em Bauru fez 35 anos e tem 27 integrantes, dos quais 17 são mulheres. “Participamos do rito escocês antigo e aceito junto com os homens. As sessões são feitas em conjunto, na mesma condição de igualdade. Desde a fundação, essa aceita mulheres.”
Para ingressar na Maçonaria, é preciso ter mais de 18 anos e ser convidado por alguém que faça parte da instituição. Depois da indicação, todos passam por sindicância.
Dia 8 de março
No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecido de Nova York fizeram uma grande greve. A manifestação foi reprimida com total violência, pelos patrões e pela polícia. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas em um ato totalmente desumano. Para homenagear essas e tantas outras mulheres que lutaram por uma vida melhor é que a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou essa data como Dia Internacional da Mulher.
Ato público
O Dia Internacional da Mulher em Bauru será comemorado a partir da reunião de várias entidades e militantes que defendem uma sociedade livre do machismo e da violência de gênero. Serão vários eventos no decorrer do mês de março, articulados pela Frente Feminina de Hip Hop Bauru e construídos coletivamente com as entidades parceiras buscando aglutinar várias iniciativas e contribuições ao movimento.
No dia 9 de março, às 10h, com concentração na Praça Rui Barbosa, será realizado um ato público que reunirá os esforços das entidades para dar visibilidade máxima à luta das mulheres por uma sociedade mais justa e menos desigual e violenta.
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