Polícia

Depósito de armamentos é localizado

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Gaeco/Divulgação

Além de equipamentos da polícia e simulacros de armas, foram achadas munições restritas de diversos calibres

Dois dias após a ação que culminou com quatro policiais presos, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - Núcleo Bauru encontrou o local que era usado como depósito de armamento de um dos envolvidos. Foram apreendidas centenas de munições de uso restrito, artefatos para arrombar portas e vários coletes balísticos da polícia.

A Operação Papa foi coordenada pelo Gaeco, juntamente com as corregedorias das polícias Civil e Militar, e resultou na prisão de um policial civil e três militares. Entre a lista de crimes dos acusados estão formação de milícia, corrupção passiva, tráfico de drogas, posse de munição de uso restrito e ainda crimes militares de violação de sigilo funcional.

Ontem, o Gaeco cumpriu mais um mandado de busca e apreensão e localizou um depósito, que funcionava em uma quitinete alugada no Centro de Bauru. De acordo com o Gaeco, a locação do imóvel foi feita em nome de um provável “laranja” do grupo. No local, foram encontradas centenas de munições de uso restrito das forças armadas, especialmente para fuzil .223, .762 e até calibre .50. Para se ter uma ideia, este último tipo de munição é utilizado para derrubar helicópteros.

Foram achadas ainda munições para armas curtas como a .45, .357, 9 milímetros, entre outras. Em nota, o Gaeco aponta que foram apreendidos também pólvora e material para recarga de munições.

O depósito continha também dezenas de simulacros de metralhadoras e pistolas, coletes balísticos de propriedade da Polícia Civil do Estado de São Paulo, um artefato para arrombamento de portas (aríete), rádios transmissores, gás de pimenta e objetos comumente utilizados para algemar pessoas.

Na garagem do imóvel, foi encontrado um veículo com o lacre das placas rompido. O que chamou atenção é que ele estava equipado com um radiotransmissor sintonizado na frequência da Polícia Militar de Bauru.

Sem móveis

As investigações apontam que a quitinete realmente funcionava como depósito, exatamente pelo fato de não haver colchão, geladeira ou fogão. O Gaeco acredita ainda que o local era usado também como ponto para possíveis encontros do grupo.

Dentro de um cofre, foram localizados ainda todos os documentos pessoais do policial civil preso na terça-feira. Conforme divulgado, ele já havia sido detido por tráfico internacional de armamentos com munição e granadas em 29 de janeiro. Na ocasião, foi preso e solto dias depois.

O depósito que foi encontrado ontem com a grande quantidade de materiais utilizados em ações violentas reforça os indícios dos crimes atribuídos ao grupo. De acordo com o Gaeco, eles cobravam propina de comerciantes e contrabandistas em troca de proteção e informações privilegiadas. As investigações apontam que vazavam informações sobre operações para evitar as prisões e a apreensão de produtos de origem criminosa.

Apesar da grande quantidade de munição e objetos de uso restrito apreendidos, o Gaeco tinha a expectativa de encontrar armas reais. Elas não estavam no local.


Mulher

Segundo apurado pelo JC, entre os policiais militares presos esta semana, há uma mulher. Conforme divulgado ontem, todos os acusados da PM são soldados e trabalhavam em Bauru. Um deles, por não oferecer riscos à investigação, foi solto.

Em relação ao policial civil, a reportagem recebeu ligações ontem afirmando que ele não se trava de um investigador. O Gaeco, contudo, confirma a informação. Apesar de morar em Bauru, ele atuava em São Manuel (69 quilômetros de Bauru).

Pelo fato de o caso estar em segredo de Justiça, os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

A Operação Papa foi coordenada pelo Gaeco, juntamente com as corregedorias das polícias Civil e Militar

 

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