Bairros

Invasão de cupins: cuidado com as pragas urbanas!

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Todos os animais têm o seu papel na natureza, entretanto, a proliferação de alguns deles nas cidades pode causar danos à saúde e à economia humana e, por isso, são definidos como pragas urbanas. São cupins, caramujos, mosquitos, moscas, pernilongos, aranhas, baratas, ratos, formigas, pombos, escorpiões... Espécies que se aproveitam da falta de higiene e do descuido humano. Em Bauru, as pragas urbanas estão presentes nos “quatros cantos” da cidade, desde a periferia até os condomínios de alto padrão. A incidência aumenta nos meses quentes.

Renata Marconi

 O dedetizador Thiago Henrique Vilela em ação contra cupins

“O homem acumula lixo, entulho, restos de alimentos, frutas no quintal... Ou seja, a comida para esses animais é farta nas cidades e não temos muitos predadores, como as aves, para conter essas populações. O que falta é educação ambiental. As pessoas precisam mudar. Precisamos olhar para o preventivo, isso diminuirá até mesmo os gastos com saúde pública”, afirma a coordenadora do curso de ciências biológicas da Universidade Sagrado Coração (USC), Maricê Domingues Heubel, que ressalta a importância do tema ser debatido na imprensa e nas escolas.

 

Cupim: a praga do século

Pequeninos, eles podem comprometer a estrutura do imóvel; descupinização pode custar até R$ 50 mil  

 

Parte do piso de madeira já estava corroída por cupins quando a professora aposentada Adriane Ribeiro Andaló Tenuta se deu conta de que se tratava de uma séria infestação da praga. Após uma avaliação feita por especialistas e de tentativas mais baratas, ela decidiu que uma descupinização profissional seria a solução para o seu problema. Serviço que, segundo ela, apesar de caro, vale a pena.


Em algumas árvores da residência, no solo, no forro, na parede e em alguns móveis. Os cupins se espalharam pela casa da professora, que vive na quadra 7 da rua Doutor José Ranieri, Vila Altinópolis. “São cupins de solo, um trabalho que, pelo tamanho da minha casa, dura dois dias e pesou no meu bolso. Mas gastar esse dinheiro vale a pena, afinal, posso até perder a minha casa, que é toda de madeira, se eu não cuidar”, diz.


Subterrâneo e de madeira seca


Área de cerrado, Bauru possui grande concentração de cupins, cujos predadores naturais são os tamanduás, encontrados em pequena quantidade na zona rural e inexistentes na cidade, o que proporciona a proliferação dos insetos.


Segundo especialistas, o extermínio efetivo da praga só é feito por profissionais, porque os ninhos são profundos e encontrar a rainha é quase impossível. Dependendo do tamanho do imóvel, a descupinização de solo por barreira química pode custar de R$ 500,00 a R$ 50 mil, com garantia de cinco a dez anos.   

Segundo Mauro César Cruz, proprietário de uma dedetizadora, 80% do território da região de Bauru está infestado por cupins, assim como 70% do território mundial.


Eles se dividem em dois grandes grupos: o cupim de madeira seca e o cupim subterrâneo ou de solo. O primeiro pode ser identificado por bolinhos ou pó fecal em móveis, portas, batentes e rodapés.


Já o segundo, através da presença de túneis de terra em pontos de parede e pisos. Eles comprometem até mesmo as construções de concreto e instalações elétricas. “O cupim de solo representa 99% da infestação por cupins em Bauru. O ideal é fazer um tratamento de solo antes de construir um imóvel”, aconselha.


De acordo com a engenheira civil Luzia Helena Ferreira Martins, os prejuízos provocados pelos cupins vão desde uma simples perfuração nas estruturas de madeira até o comprometimento estrutural do imóvel.


“Nas edificações, eles podem construir túneis ou galerias em madeiramento, telhado, paredes e colunas de concreto. Os cupins são uma das maiores pragas urbanas, já que podem causar prejuízos irremediáveis”, frisa.

Venenosos

Em Bauru, também é comum o registro de escorpiões, principalmente o amarelo, e aranhas em residências. De acordo com uma recente pesquisa feita pelo Instituto Butantan, acidentes com animais peçonhentos como estes aumentam em cerca de 30% entre dezembro e março, meses quentes e chuvosos.   


A primeira ação que deve ser feita em caso de ferroada de escorpião, segundo orientações do Butantan, é colocar compressas de água morna sobre a ferida para amenizar a dor até a chegada do serviço de saúde mais próximo.


Já em casos de picadas de aranhas, a recomendação é não mexer no ferimento e procurar atendimento médico imediatamente.  

O Hospital Vital Brazil, especializado no tratamento de acidentes por animais peçonhentos, disponibiliza o telefone (11) 2627-9529 para orientação em casos de emergência e acidentes.  

 

Controle alternativo

Embora especialistas orientem a dedetização do ambiente em caso de infestação, como a de baratas e cupins, por exemplo, há métodos alternativos para o controle de algumas pragas. Plantas como uva, repolho roxo, girassol, abóbora, alho e menta repelem lesmas e caramujos, por isso a dica é plantá-las ao redor de jardins e pomares.


Fazer a catação manual de caramujos também é possível com a proteção de luvas. Outra tática caseira para diminuir a população de lesmas e caracóis é colocar um jornal com verduras e cascas de legumes no local enfestado ao entardecer. O procedimento atrairá as pragas, que deverão ser colocadas em sacos plásticos com sal e incineradas, em seguida.


Formigas

Depositar folhas de louro, cravo-da-índia ou casca de tangerina nos locais onde os insetos são indesejáveis ajuda a espantá-los. Uma solução feita com 100 ml de água sanitária para cada litro de água e jogada com abundância sobre os ninhos  também promete ser eficiente contra formigas.



Em dois meses, vilão da dengue fez mais de 800 vítimas


Secretaria Municipal de Saúde alerta a população sobre a necessidade de medidas preventivas para conter infestação; leishmaniose também preocupa

 

Jardim Ferraz, Vila Ipiranga, Jardim Vitória e adjacências são os bairros que concentram o maior número de casos de dengue registrados em Bauru, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal. Mas a doença se espalha por todas as regiões do município. Até o fechamento desta edição, o último levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde apontou cerca de 830 casos confirmados nos dois primeiros meses de 2013.


A secretaria alerta que nunca é demais lembrar sobre a importância de tomar medidas preventivas rotineiras, como descartar todo material com potencial para criadouro de larvas do mosquito Aedes aegypti - como garrafas, latas, embalagens vazias, pneus, entre outros -, evitar vasos de plantas com pratos de plásticos, manter ralos internos e externos tampados, piscinas limpas, além de manter a limpeza das calhas antes de sair de casa por vários dias (leia mais no quadro abaixo).


Outro alerta da secretaria é para os moradores, proprietários de imóveis desocupados ou de terrenos sem construções que providenciem não só a capinação dos mesmos, quando necessário, mas também a retirada de todo o lixo ou entulho, já que as larvas do mosquito transmissor da dengue se proliferam em qualquer tipo de recipiente que armazene água, até mesmo tampinhas de garrafas.  



Leishmaniose


Em fevereiro, Bauru registrou a primeira morte por Leishmaniose Visceral Americana (LVA) de 2013. João Ravanelli, 76 anos, faleceu no Hospital Estadual (HE), onde fazia tratamento. Em 2012, três pessoas morreram em decorrência da doença, e o município teve a maior incidência de casos do Estado de São Paulo nos últimos dez anos.


O mosquito-palha é o transmissor da leishmaniose, que assim como a dengue, cresce com a falta de higiene e manutenção adequada de terrenos baldios e quintais. Cuidar da saúde dos cães, que podem servir de reservatório do parasita, eliminar as fezes diárias dos animais, limpar quintais, podar árvores frutíferas, instalar telas nas janelas e embalar o lixo estão entre as recomendações para prevenir a proliferação do mosquito-palha.


Entretanto, apesar da colaboração da população ser fator fundamental para a prevenção da dengue, leishmaniose e outras doenças, flagrantes de descuidos e descaso em propriedades públicas e privadas são constantes.


‘Enquanto não houver conscientização...’

Para o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, de maneira geral, as cidades precisam olhar para as pragas urbanas e criar um serviço específico para atender essa demanda crescente. Entretanto, ele destaca que muitas dessas pragas estão sendo criadas pela população, como os pombos, que são alimentados nas calçadas e podem transmitir doenças.


“Os mosquitos transmissores da dengue e da leishmaniose são criados praticamente nas residências devido à falta de cuidados dos moradores que, depois, colocam a culpa no poder público”.


Brito ainda alerta para a cadeia que pode ser desencadeada pelo aumento desses bichos indesejados. “Onde há lixo, há barata. E onde há barata, há escorpião. O mesmo acontece com os ratos que vivem em lugares sujos e atraem cobras. Somente de formigas, há mais de 100 espécies na área urbana da nossa região. E há estudos que apontam que algumas delas podem conduzir infecção hospitalar,” preocupa-se.

 


 

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