Polícia

Quando o perigo está na garupa

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

O chamado é para mais uma corrida no dia. Contudo, após realizar o serviço, o mototaxista tem uma surpresa mais do que desagradável. O cliente é, na verdade, um ladrão armado. Casos assim se tornaram frequentes em Bauru nos últimos dias. Há poucos dias foram mais duas vítimas na cidade.

 

Quioshi Goto

O capitão Alan Terra confirma que a prevenção é algo muito difícil

O caso mais recente foi registrado no trevo do Colina Verde. Segundo informações da polícia, assim que chegou ao local solicitado, o mototaxista foi rendido por um homem que, em posse de um revólver, roubou a moto, a carteira e o celular da vítima.


Na noite anterior, outro mototaxista foi alvo de um crime muito semelhante na região central da cidade. O destino final da corrida era a quadra 10 da avenida Gomes Ribeiro. Ao chegar ao local, o passageiro sacou o revólver e fugiu com a moto.


Esses são apenas alguns exemplos dessa modalidade de crime. A preocupação é confirmada pela própria polícia. Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), explica que, nessa situação, a vítima realmente fica mais vulnerável, pois ocorre uma inversão da ação do bandido.


“Nos roubos comuns, é o criminoso que se dirige até a vítima para cometer o crime. Nesses casos, ocorre o inverso. É a vítima que, após ser solicitada, vai de encontro ao ladrão. É muito fácil induzir a vítima a isso”, destaca o delegado.


Apesar da frequência dos casos e do modo de operação ser semelhante em quase todas as ocorrências, o delegado revela que as investigações não apontam a existência de uma quadrilha especializada. “As informações dão conta de que são várias pessoas cometendo este tipo de crime. Temos indício de que até adolescentes estão envolvidos em roubos assim”.


Apesar de os mototaxistas serem a grande parte das vítimas, a situação de vulnerabilidade é praticamente a mesma aos taxistas. No último dia 15, Waldemar Martins de Azevedo, 72 anos, foi ferido gravemente com três facadas.


O taxista foi atacado por um falso passageiro após reagir a um roubo nas proximidades do Centro de Progressão Penitenciária 3 (CPP3, antigo IPA). As investigações seguem pela DIG e a unidade especializada afirma que o caso está bastante avançado.



Prevenção


Apesar da difícil prevenção, a Polícia Militar (PM) aponta algumas dicas que podem amenizar a vulnerabilidade das vítimas. Uma delas é manter um banco de dados de clientes. “Não é algo que acaba com os riscos, mas, já ajuda. Quando há esse cadastro, o mototaxista pode checar e, caso o cliente não conste lá, pode desconfiar”, explica o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra.


A mesma suspeita deve ser aventada em determinados horários e localidades. “Pode parecer estranho, mas o mototaxista deve até dispensar corridas se sentir algo suspeito. Em determinados horários, deve evitar locais ermos”. Assim, a melhor maneira é tentar checar a veracidade da solicitação e sempre verificar o ponto de origem e destino.


Outra dica de segurança é, em caso de desconfiar da chamada, até mesmo ir acompanhado de um colega de trabalho ao local solicitado. “É algo que inibe o ladrão. Ele perde a oportunidade. Apesar das dicas minimizarem os riscos, a prevenção é realmente algo difícil”, conclui Terra.

 

Lá na ponta

Mesmo ressaltando que é um crime difícil de prevenir, algumas ações da polícia podem inibir as ações dos criminosos. Uma delas é exatamente na “ponta” da ação, ou seja, depois que o crime ocorreu.


“É um trabalho que chamamos de prevenção qualificada. São fiscalizações que fazemos em oficinas e desmanches para tentar identificar veículos e peças que são produtos desse tipo de crime ou mesmo de outros roubos e furtos”, explica o titular da DIG, Kleber Granja.


O delegado ressalta que os crimes que visam motocicletas sempre chamam a atenção da polícia, uma vez que alimentam comércios paralelos ou podem ser usados em outras ações criminosas.

 

Ao cliente

E os riscos existem em ambos os lados. Tanto nos serviços de mototáxi quanto táxi, o usuário precisa ficar atento para não correr perigo de também ser vítima de um falto profissional. A PM aponta que o melhor é sempre acionar um serviço de empresa conhecida ou que tenha ponto fixo.


Outra dica é planejar previamente a saída, justamente para não ficar na rua esperando muito tempo. Durante o trajeto, a PM recomenda que o passageiro não passe informações de sua vida pessoal ao profissional. Esses dados podem ser repassados a um criminoso.

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