Tribuna do Leitor

Jovens: Meninos e meninas... levianos


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Estamos ainda em meio às discussões sobre o Dia Internacional da Mulher, já beirando a metade da segunda década do Século 21, e é assustador o cenário que se apresenta, ainda, quando o assunto é violência doméstica. Sabendo da abrangência e quantidade de leitores desta conceituada "A tribuna", ao ler o artigo do jovem Raul Melges dos Santos, 16 anos, estudante do Centro Paula Souza/Rodrigues de Abreu, chamaram a atenção alguns pontos. É de extrema importância o envolvimento dos jovens em assuntos pertinentes a toda a sociedade, principalmente quando os vemos envolvidos neste ou aquele assunto, sendo polêmico ou não, e mais importante ainda quando este jovem coloca em prática sua cidadania, discute política, dá voz aos seus pensamentos, o que hoje é muito sutil.

Mas algo chamou a atenção e deixou-me bastante preocupada considerando que há mais de 100 anos a Sociedade vem tentando combater e coibir a violência contra a Mulher, através de Leis, Movimentos Sociais, Conselhos, Campanhas, Conferências, Debates, Redes de Combates e tantas outras formas para proteger nossas mulheres.

Em seu texto ele toca em um assunto que para muitos ainda é tabu, o aborto, e nele cita a precoce inserção da "menina" no rol das praticantes do "sexo fora do casamento", gerando a grande problemática que é a gravidez na adolescência.

Quando ele diz: "Hoje em dia, é muito comum e até ?bonitinho?, aos olhos de alguns uma menina de 13 anos ficar grávida; quando deveria ser motivo de vilipêndio para com a leviana, que praticasse relação sexual, ainda mais sem camisinha..."

É secular a luta para chegarmos ao patamar de hoje no Brasil, quando o assunto é violência contra a mulher, com a conquista do maior instrumento de defesa que é a Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340, de agosto/2006; lei esta conquistada após várias tentativas de morte e efetivas agressões físicas, psicológicas, patrimoniais e tantos outros tipos, conforme relatos da vítima que dá nome à Lei.

Reafirmo aqui o quão positivo é o engajamento dos jovens, mas é notável o quanto o "machismo" é nítido na citada frase, pois se uma jovem, seja ela menina ou mulher, engravidou, ela não foi leviana sozinha, existe um co-autor para o ato sexual, onde está ele?

Se hoje estou aqui tendo a oportunidade de escrever estas linhas, devo a uma mulher guerreira, que lutou contra tudo e contra todos, tendo sido também menosprezada, achincalhada, desrespeitada e considerada leviana após engravidar. A violência está escondida em palavras, textos, atos, ações e boas intenções! O grande gênio Leonardo da Vinci poderia ter nascido mulher...e aí! "Quem comete a violência doméstica, machuca uma família inteira". Violência doméstica! Denuncie: 180, é grátis e sigiloso.

Maria Luíza Carvalho - auxiliar de creche, ex-conselheira do Conselho Municipal da Condição Feminina de Bauru

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