O corpo do professor doutor Sidney Carlos Aznar, de 72 anos, foi sepultado ontem ao meio-dia no Cemitério Municipal de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru). Ele morreu anteontem por volta das 15h no Hospital Unimed de Lins em decorrência de complicação de Hepatite C, após ter sido internado em 2 de fevereiro. Já não estava tão lúcido, após a doença se complicar, contou ontem o sobrinho Percival Ramos de Carvalho. Com título de doutorado na Universidade de São Paulo (USP), ele lecionou por muitos anos na Faculdade de Artes e Comunicação da antiga Fundação Educacional de Bauru (FEB), posteriormente Universidade de Bauru até a estadualização pela Unesp.
Sidney se aposentou em 8 de novembro de 1995 na Unesp, mas teve participação também no movimento pela estadualização e lecionou na faculdade de educação artística e comunicação social, habilitação em jornalismo nos anos 80.
O jornalista João Moretti Júnior conta que Sidney em 1982 lecionava artes cênicas no curso de Educação Artística. “Em 1982, ele discutia o sincretismo religioso no Brasil, defendia a disseminação das religiões afros também como extensão da cultura popular”, conta.
Na sala de aula, ele gostava de levar discos de vinil para tocar clássicos da música brasileira e defendia muito a diversidade da cultura nacional. O folclore também é outra assunto que Sidney dominava, conta Nelyse Salzedas, professora livre docente na área de literatura no câmpus de Bauru e amiga pessoal do professor.
“Era um homem culto, educado e bem quisto pelos alunos. Ele dava aula sobre gravuras em um galpão, de vez em quando até eu ia lá aprender. Conhecia muito de gravura”, lembra Nelyse.
A grande contribuição como pesquisador foi a sua tese de doutorado “Do pergaminho ao vídeo”, defendida na Escola de Comunicação da USP, que obteve nota 10 com louvor. O estudo faz análise das vinhetas (decorações gráficas e aberturas de programas televisivos e radiofônicos). A tese posteriormente foi publicada pela editora da Universidade de Marília (Unimar), instituição também onde Sidney foi coordenador de um dos departamentos após sua aposentadoria na Unesp.
Sidney pesquisou diversas áreas culturais onde aparece a vinheta nos diversos processos de comunicação visual. O estudo inicia comentando a simbologia da uva nos textos sagrados da Idade Antiga, onde a vinheta é considerada sagrada. Na Idade Média, a vinheta aparece como complemento decorativo das iluminuras, passando a ser simbólico-gráfica. Essa constatação é o resultado da interpretação de uma iluminura do século XV, que serviu como recurso metodológico para o estabelecimento de relações de conteúdo e de especificidade.
Segundo o estudo, o termo vinheta foi adaptado para o cinema, o rádio e a televisão, suscitando controvérsias entre os especialistas da mídia, que lhe atribuem diversos significados.
A pesquisa foi feita no apogeu do crescimento da audiência da telenovela brasileira, quando destaca o trabalho do austríaco Hans Donner nas aberturas dos programas televisivos e da importância dos seus videographics, não só para o Brasil, mas também para o mundo. “Sidney um inovador e um dos primeiros a trabalhar com comunicação visual. Ele era muito informal e lecionou na pós-gradução”, ressalta Nelyse.