Aceituno Jr. |
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O arcebispo de Botucatu dom Maurício Grotto |
Apesar da escolha surpreendente e que pode mudar várias diretrizes da Igreja Católica, há um limite entre alterações possíveis e impossíveis. E é nesse último grupo que continuarão enquadradas questões como aborto, união homossexual e contracepção no novo papado. Apesar da posição ortodoxa firme de Francisco, a expectativa do arcebispo de Botucatu dom Maurício Grotto de Camargo é de que a Igreja passe a “atirar menos pedras”.
A postura conservadora já é conhecida. Em 2010, Jorge Mario Bergoglio afirmou que a adoção de crianças por gays era discriminação contra as crianças. Na ocasião, foi repreendido publicamente pela presidente argentina Cristina Kirchner.
Ele acredita ainda que o novo papa mudará o foco da Igreja, voltando ao que deve ser o objetivo principal. Conforme o arcebispo critica, a instituição ficou muito focada na oração e se esqueceu do testemunho, ou seja, da realidade de seus fiéis.
JC - O que o senhor achou da escolha?
Dom Maurício Grotto - Fiquei muito emocionado. O Bergoglio tem um trabalho pastoral impressionante. O fato de ele ser do Terceiro Mundo também é muito positivo. Mostra que a Igreja é do Espírito Santo. Ou seja, que não é da Europa e está aberta a outras culturas. Ver o Vaticano lotado com aquele monte de bandeiras triunfando me emocionou muito.
JC - Mas o fato de ele ser argentino muda a relação entre Igreja e América Latina?
Dom Maurício Grotto - Não podemos esperar mudanças radicais e rápidas. Muitas mudanças virão ao longo do tempo. Mas é lógico que o fato do novo papa conhecer o Terceiro Mundo e toda a realidade problemática da América Latina ajuda a estreitar relações.
JC - E em relação ao aborto e união homossexual?
Dom Maurício Grotto - Existem mudanças impossíveis e possíveis. Digo que será impossível ele mudar a essência da fé. Questões como o casamento homossexual e o aborto são mudanças impossíveis para a Igreja.
JC - E o que seriam as mudanças possíveis nesses pontos?
Dom Maurício Grotto - A Igreja nunca deve condenar o pecador. O que é condenável é o pecado. A igreja deve salvar o pecador, mas deve atirar menos pedras. Um exemplo é o caso dos homossexuais. Atualmente, muitos só atiram pedras. Isso é algo que precisa mudar. Outra mudança possível é a Igreja acreditar mais na juventude. Pelo perfil do novo papa, acredito muito que isso deve acontecer.
JC - Como ele vai lidar com a crise que vive a Igreja Católica?
Dom Maurício Grotto - É preciso entender que a Igreja possui todos os problemas que já tinha antes. E também é necessário deixar claro que o papa Bento XVI não renunciou por conta de crise alguma. Agora, a crise é algo positivo para o crescimento. Acredito que ele enfrentará todos os problemas de forma serena e radical.
JC - Para finalizar, o que deve mudar no cerne na Igreja?
Dom Maurício Grotto - A maior mudança positiva é uma Igreja mais pobre em si mesma. Uma Igreja mais voltada exatamente aos pobres. Infelizmente, desde o fim dos anos 80, a Igreja em geral se voltou mais para a oração e se esqueceu do testemunho, da realidade. Acho que a nomeação do Francisco muda isso. Até o nome que ele escolheu representa uma Igreja mais voltada ao testemunho vivo.
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Novas tecnologias
Além de recair sobre os presentes na Praça São Pedro, a primeira bênção do novo papa foi transmitida pelo rádio, televisão e pelas “novas tecnologias”, conforme anunciou o próprio Vaticano. O fato da citação tecnológica chamou atenção e deu indícios de que o papado deve utilizar esses novos meios. “É algo que procede. É uma orientação que temos: adentrar nesse mundo novo da comunicação e até evangelizar por meio das redes sociais”, aponta o arcebispo dom Maurício Grotto.
As redes sociais também foram usadas para comentar a escolha do novo papa. Ontem, os três primeiros tópicos mais comentados do Twitter no mundo todo eram sobre o fato.
