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Em posse, Dilma defende coalização


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Acusada pela oposição de estar loteando o governo por interesse exclusivamente eleitoral, a presidente Dilma Rousseff deu posse a três novos ministros ontem enfatizando em seu discurso a necessidade de manter a coalizão de partidos da base.

“Temos que fortalecer nessa diversidade as forças que sustentam um governo de coalizão”, disse ela. “Muitas vezes, algumas pessoas acreditam que a coalizão é algo do ponto de vista político incorreto. Eu queria fazer uma reflexão com os senhores. Estamos assistindo em alguns lugares processos de deterioração da governabilidade justamente pela incapacidade de construir coalizões.”

Citando nominalmente a Itália e os EUA, ela completou: “A capacidade de estruturar coalizões é crucial para o país. Principalmente um país com essa diversidade.”

A presidente também afirmou que pretende valorizar os aliados: “Numa coalizão você tem que valorizar as pessoas que contigo estão. Esses parceiros da luta”, afirmou a presidente.

Dilma agradeceu ao ministros que saíram, principalmente a Mendes Ribeiro (Agricultura), a quem chamou de Mendezinho e recomendou-lhe ir cuidar da saúde. “Cuide da sua recuperação. Quero voltar a contar contigo”, disse.

O ministro está se tratando de um câncer. Ele chorou no momento em que foi citado e foi muito aplaudido. O PMDB tentou até o último momento levar Ribeiro para Secretaria de Assuntos Estratégicos, que está vaga com a saída do ministro Moreira Franco para o Secretaria de Aviação Civil.

As declarações do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que em entrevista à Folha de S.Paulo afirmou que “dá para fazer muito mais”, repercutiram durante a posse. O senador Eunício Oliveira, líder do PMDB, afirmou que “Sempre é possível fazer mais; e ela vai fazer”. Já o novo ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, disse que o PMDB é um partido de quase 50 anos e honra seus compromissos. Segundo ele, o PMDB se sente representado no novo arranjo.

O novo ministro da Agricultura, Antonio Andrade, disse que Dilma “conhece muito bem o nosso país e sabe muito bem o que tem que fazer”. A repoortagem apurou que o PSDB ofereceu ao PMDB de Minas, de onde Andrade é originário, duas secretarias no governo Antonio Anastasia. “Evidentemente que o ministério vem ajudar a consolidar uma posição em Minas. Fortalece a união PT-PMDB.”

Já o novo ministro do Trabalho, Manoel Dias, afirmou que representa o PDT, não só um grupo. Sua missão é apaziguar o partido, dividido entre os grupos dos agora dois ex-ministros: Carlos Lupi e Brizola Neto.

 

Buarque: PDT deve deixar governo

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse ontem que vai tirar seu apoio à reeleição do ex-ministro Carlos Lupi à presidência do PDT. Segundo ele, é um erro o partido continuar na base do governo Dilma Rousseff.

A presidente empossou ontem o pedetista Manoel Dias no Ministério do Trabalho no lugar de Brizola Neto, que disputa o comando do partido com Lupi. “Estou descontente com o partido, que se diluiu ao entrar no governo. Nós temos que procurar outro caminho. A economia vai muito mal e o governo não percebe. Ou a Dilma está iludida ou está iludindo a gente. O governo deixa as pessoas prisioneiras ao Bolsa Família”, disse ele.

Cristovam afirmou concordar com o governador Eduardo Campos (PSB-PE) que disse a empresários que é possível “fazer muito mais” do que a presidente Dilma tem feito. “Já passou o tempo de ela fazer mais. Está havendo um esgotamento dos quatro pilares: estabilidade monetária, transferência de renda, democracia e do modelo econômico”.

Segundo o senador, o PDT poderia propor essa inflexão, mas “ao entrar no governo fica mudo”. “Nós só vamos discutir agora nomeações nas delegacias do trabalho”.

A eleição para a direção do PDT acontece na próxima semana. “Eu estava na chapa do Lupi, mas não vou entrar mais. Ninguém sabia dessa história do ministério. Soubemos pela mídia”. A Folha de S.Paulo não conseguiu localizar Lupi. O ministro Manoel Dias afirmou que vai conversar com Brizola Neto.


Marina critica

A ex-senadora Marina Silva criticou a reforma ministerial de Dilma Rousseff. “Não adianta mudar ministros se a lógica continua a mesma. Para manter a base do governo, os partidos ocupam espaços públicos como se privados fossem”, afirmou.

Marina, que está no Rio em busca de assinaturas para viabilizar seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, criticou o que o governo chama de “coalizão”. Para ela, isso não passa de “poder pelo poder”.

Ela afirmou que um dos problemas do governo é que ele continua “na agenda do século 19, que se mostra fracassada do ponto de vista econômico e ambiental”.

Sobre os royalties do petróleo, ela defendeu que os contratos sejam respeitados e que se crie um “processo virtuoso em que estes recursos possam ser distribuídos equitativamente com um princípio de justiça para todo o país”.

Marina Silva também apontou problemas na “inclusão social”. Segundo a ex-senadora, ela precisa ser focada no sentido da educação de qualidade.

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