O dito popular "prevenir é melhor que remediar" não poderia estar mais certo quanto o assunto é câncer de mama. Sabemos que hoje o tratamento é curativo, principalmente quando o diagnóstico é feito mais precocemente. Esse tipo de câncer é o que mais mata mulheres no mundo todo. Embora a maioria das pacientes supere o tratamento, muitas permanecem com o estigma da mutilação ao ter os seus seios retirados e nem sempre são privilegiadas com a reconstrução das mamas. Muitas por não terem acesso ao tratamento, outras por medo de se submeter a uma nova cirurgia, se resignam mesmo que o procedimento seja para devolver a parte que foi perdida.
No Brasil, estima-se que de 80 a 90% das mulheres que retiram as mamas por causa de tumores malignos ainda esperam pela cirurgia de reconstrução e o quadro é ainda mais dramático se analisarmos o Sistema Único de Saúde. Uma realidade que poderia ser diferente com um simples toque feito por um médico, além do autoexame. Quanto mais cedo se detectar a doença maior a chance de curá-la e mais conservadoras são as opções terapêuticas. E os mutirões informativos e de mamografia são indispensáveis porque sabemos que a demanda é muito maior do que a estrutura de saúde pública existente.
A iniciativa da ONG Amigas do Peito em realizar pelo sexto ano a Caminhada Pela Vida é uma ação importante por se tratar de prevenção. Quantas mulheres já se beneficiaram pelo autoexame? E quantas poderiam ter tido um tratamento mais ameno se realizassem o autoexame regularmente e a mamografia anualmente? No Brasil, os índices desse tipo de câncer ainda são alarmantes e o diagnóstico precoce nem sempre é a realidade, dificultando as chances de cura. Por isso a caminhada pela vida é tão importante e deve ser apoiada por toda a sociedade.
No mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher saber que entre as participantes existem histórias de muita luta e superação é emocionante. São mulheres que sofreram a dor de ter seus seios retirados. Esperaram anos convivendo com parte do corpo mutilada, até ter a possibilidade de realizar uma cirurgia de reconstrução. Mulheres que sofreram e, mesmo assim, não desistiram. Agora, mais uma vez, elas vão às ruas para orientar e tentar evitar o sofrimento, além de trazer conforto e esperança a outras.
O autor, João Gabriele, é cirurgião plástico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica