Tribuna do Leitor

A escola em crise?


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A escola perdeu, em boa medida, o encanto e a atração, vem se esgotando como espaço do conhecimento, da reflexão e do convívio social. Não responde aos anseios da juventude que não enxerga perspectivas em seu projeto político-pedagógico. Prefere "pesquisar??, superficialmente, nas telas deletando livros e demais conteúdos.

É sintomático que a crise e os episódios de violência ocorram no ensino médio, exatamente no momento em que o jovem deveria estar escolhendo seu caminho, "descobrindo?? seu papel na sociedade e preparando-se para a carreira universitária, vale dizer, para a escolha da profissão e para o mundo do trabalho. É chover no molhado, como se diz, afirmar que não há projeto pedagógico que resista quando concebido para salas super-lotadas com cerca de 40 e 50 alunos, como temos visto, tanto na escola pública quanto na particular. Há exceções, é verdade. Poucas. Acrescente-se a esse quadro o eterno desafio dos baixos salários e das condições de trabalho denunciados, em vão, pelas representações profissionais.

Escravos da parafernália tecnológica descartável, do celular sofisticado, da tela multicolorida e sonora, muitas vezes vazia de conteúdo, tudo oferecido em suaves prestações pela economia neo-liberal, isto é, pelo capitalismo, que a tudo transforma em mercadoria, contribuindo para "esvaziar?? a escola, desmotivar o jovem que perde o interesse por ela e pelos seus profissionais históricamente responsáveis pelo processo de ensino-aprendizagem. Todos sofremos, impotentes, diante desse fenômeno desmotivador. Carecemos de análises ??radicais, rigorosas e de conjunto??, conforme propõe o educador Dermeval Saviani.

Os pais também vivem momento de grande angústia com o bombardeio das mídias estimulando o consumo do descartável e sentem-se impotentes, vítimas também da euforia consumista que promove a acumulação para uns e a miséria para tantos outros. Mas esta é outra História... Mais que a crise da escola e da violência que se abate sobre ela, é a crise de valores que assola a juventude e a sociedade.

Esta é a questão fundamental que educadores e sociedade temos de nos levantar e questionar: Educar para que? Educar para quem? Para reproduzir ou para transformar este modelo de sociedade? A escola está em crise? Não. A escola é parte integrante da sociedade e reflete as consequências de uma crise muito maior. É aí que devemos ??passar o bisturi?? e como educadores não permitir que a escola reproduza, passivamente, o modelo instalado. Como advertiu Frei Carlos Josafat, nos anos 60: "Resistir é preciso...??

Isaias Daibem

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