Internacional

Dilma falará em ?opções diferenciadas?

Folhapress
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A presidente Dilma Rousseff pediu ontem ao papa Francisco que compreenda as “opções diferenciadas das pessoas” e alertou que apenas cuidar dos pobres não é suficiente. 

Dilma desembarcou na Capital da Itália com uma ampla delegação para demonstrar a importância da Igreja para o País. “É uma postura importante, um papa preocupado com a questão dos pobres no mundo”, disse, ao sair de uma visita a um museu na Capital, referindo-se ao discurso de Francisco de combate à pobreza. “Ele tem um papel especial”, acrescentou, apontando que esses foram alguns dos princípios básicos que inspiraram o cristianismo.

Mas alertou: “É claro que o mundo pede hoje, além disso, que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas”. Cuidadosa para não ferir nenhum grupo de eleitores e apoio - nem protestantes, nem homossexuais, nem católicos, nem defensores do aborto -, ela não explicou a declaração. Mas Dilma foi interpretada como uma alusão a temas polêmicos para a Igreja, como a expansão de templos evangélicos, o aumento do secularismo na sociedade, homossexualismo, aborto e até o uso de preservativos.

A relação entre o governo da presidente e a autoridade eclesiástica tem sido marcada por atritos. Semanas antes da eleição, em 2010, a campanha de Dilma foi surpreendida por uma declaração do então papa Bento XVI aos bispos do Maranhão contra alguns dos pontos defendidos por ela. Outro item que tem irritado a administração federal é a decisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de fazer declarações sobre temas como o Código Florestal, leis no Congresso e assuntos como o homossexualismo, interrupção da gravidez e outros temas.

Nos bastidores, cardeais têm se queixado da posição do Poder Executivo brasileiro em relação à Igreja Católica. Dilma, porém, admite que o papa não deve ter posições revolucionárias em relação a tópicos como casamento entre cidadãos do mesmo sexo ou aborto. “Não me parece que seja um tipo de papa que vai defender esse tipo de posição”, disse. Hoje, a presidente estará na solenidade de elevação ao trono de Francisco, ao lado de 150 autoridades de todo o mundo. A previsão é de que Dilma faça parte da fila de cumprimentos a ele após a missa e os dois troquem algumas palavras.

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