Hoje, às 17h, amigos e familiares do fotógrafo Henrique Mucci, que morreu na semana passada, aos 27 anos, vítima de um acidente causado por motorista embriagado (leia mais abaixo), realizam a ‘manifestação pela vida’. O grupo percorrerá de carro, moto e bicicleta várias ruas de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) cobrando o fim da impunidade para os crimes no trânsito e a realização de campanhas de conscientização.
O repórter fotográfico Billy Mao, um dos organizadores, revela que o ponto de partida da manifestação será o pátio de treinamento do Detran, que fica na avenida Brasil, sem número. Um carro de som acompanhará o grupo durante todo o trajeto. “Nós vamos fazer essa volta pela cidade e fazer questão de passar pelo Fórum e fazer um ‘buzinaço’ ali na frente”, diz. “Aí nós vamos seguir pelas vias até o local do acidente”.
De lá, os manifestantes percorrerão algumas ruas do bairro até o Parque do Povo, próximo ao Recinto da Facilpa, local da concentração. Vestindo camisetas com a foto de Mucci, amigos e familiares levarão faixas e cartazes com frases pedindo punição ao motorista causador do acidente que provocou a morte do fotógrafo. “No Parque do Povo, a gente vai dar uma inflamada nessa cobrança”, adianta Billy.
Além do fim da impunidade para motoristas que cometem crimes no trânsito, o grupo cobra uma maior atuação do município em relação a ações de conscientização para que delitos como esse não voltem a ocorrer. “Em Lençóis, principalmente, o Departamento de Trânsito da cidade não faz campanhas, não faz sinalização decente, não pune ninguém, coloca radares em horário fora de pico de quem abusa”, declara.
De acordo com Billy, no próximo domingo, dia 24, está previsto um “buzinaço”, desta vez com a presença apenas de motociclistas, inclusive integrantes de motoclubes da cidade e região. “Aqui em Lençóis, a cobrança sobre os motoqueiros, de uma forma geral, pela polícia e autoridades, é muito grande”, afirma. “Só que, em contrapartida, os caras sofrem acidente e o motorista, normalmente, sai impune”. O local e o horário ainda estão sendo definidos.
Relembre o caso
O acidente que provocou a morte do fotógrafo Henrique Mucci ocorreu no último dia 11, às 17h40, no cruzamento das ruas Bandeira Tribuzi e José Antônio Blanco, no jardim João Paccola. De acordo com testemunhas, Mucci, que era casado e tinha um filho de 4 anos, trafegava pela rua Bandeira Tribuzi com a sua motocicleta CBR 250 quando teve a preferencial cortada pelo Monza, placas AHK-1485, de Garça, que estaria em alta velocidade.
Com o impacto, a moto foi arremessada contra alambrado a cerca de dez metros de distância. Sem prestar socorro à vítima, o condutor do carro, Wellington Luís Loriano da Silva, de 31 anos, tentou seguir adiante. Na fuga, ele quase atropelou três crianças que estavam na calçada, colidiu contra um veículo estacionado e ainda arremessou um Corsa contra um poste de iluminação pública.
O Monza só parou cerca de 40 metros depois, ainda na rua José Antônio Blanco, quando invadiu a calçada e bateu em uma lixeira, que foi arrancada. O fotógrafo foi levado inconsciente, mas ainda com vida, ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital Nossa Senhora da Piedade, onde acabou morrendo. O motorista do carro também ficou ferido e recebeu atendimento antes de ser encaminhado à delegacia. De madrugada, o carro dele foi completamente incendiado.
Silva foi autuado em flagrante por dirigir embriagado. O teste do bafômetro apontou a presença de 0,70 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões e ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. No dia 14, a pedido do Ministério Público (MP), que alegou bons antecedentes, residência fixa e homicídio culposo, e não doloso, o juiz da 2ª Vara de Lençóis, Mário Ramos dos Santos, concedeu a liberdade provisória ao motorista.
Comerciantes cobram mais segurança
Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), hoje, a partir das 9h, comerciantes vão se reunir em frente a uma loja de confecção infantil localizada na rua Nove de Julho, L-15, no Centro, para cobrar mais segurança das autoridades. No final de semana, dois furtos semelhantes foram registrados na região. As duas ocorrências estão sendo investigadas.
Uma das vítimas foi o comerciante Sebastião Messias de Jesus da Silva, dono da loja de roupas infantis e organizador da manifestação. Na madrugada de sábado, desconhecidos estouraram a porta de blindex do imóvel com parafusos de dormentes da linha férrea, após tentativa frustrada com tijolos, e furtaram vários produtos, além de R$ 500,00.
Na madrugada de domingo, o alvo foi uma loja de perfumes localizada na mesma rua. Nesse caso, os ladrões levaram dinheiro, celular e diversos produtos. O comerciante defende aumento no efetivo da PM e investimento da prefeitura em sistema de monitoramento por câmeras na região central. “Para nós está sendo complicado”, diz.
“A cidade hoje tem, em média, 45 mil habitantes. O que precisa – e eu queria passar para o poder público – é mais policiais. Hoje, o efetivo que tem não está dando conta do tamanho da cidade. A cidade está crescendo, está vindo firmas de fora, está aumentando a população e eles não estão dando conta disso”.
O delegado titular de Pederneiras, Eduardo Herrera dos Santos, informou que os dois furtos estão sendo investigados. Segundo ele, os crimes podem ter sido praticados pelas mesmas pessoas. “É bem provável que tenha uma relação”, diz. “Eu não posso descartar outra linha, mas estariam ligados às mesmas pessoas”.
O oficial de relações públicas do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, afirma que o efetivo da PM em Pederneiras está praticamente completo. Segundo ele, a definição desse efetivo leva em conta os dados oficiais sobre população e indicadores criminais.
“O efetivo determinado por força de norma, por força de lei, é de 40 policiais militares no município de Pederneiras”, revela. Hoje, de acordo com o capitão, existem 39 policiais militares na cidade, o que praticamente corresponde a um policial para cada mil habitantes, além de frota nova e completa.
O oficial de relações públicas ressalta que os índices criminais na 6ª Companhia, que abrange Pederneiras, Macatuba, Arealva e Iacanga, estão estáveis e apresentam uma ligeira queda se comparados ao mesmo período do ano passado. “A população está com a sensação de insegurança, mas não quer dizer que esteja insegura”, pontua.