Tribuna do Leitor

O homem não merece nota zero


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Diz-se que certa vez estando Jesus Cristo caminhando por uma estrada, em companhia dos seus apóstolos, deparou com um cadáver de um cachorro, em adiantado estado de decomposição.

Os discípulos afastaram-se devido ao seu mau cheiro que exalava, ao passo que o Mestre fez o contrário: caminhou em sua direção, abaixou-se, examinou-o e disse! Que belos dentes ele tinha.

Essa narrativa objetiva demonstrar que mesmo quando achamos que tudo é mau numa pessoa, deveremos procurar algo de bom.

Aplicando-se esse ensinamento à humanidade em geral, deveremos deduzir que mesmo nos seres mais malévolos, nos quais à primeira vista parece que tudo é maldade, sempre existe um lado bom, uma qualidade nobre que deve ser enaltecida.

Somos, portanto, todos nós, seres humanos, filhos de um Pai comum (Deus), em evolução, e, assim sendo, uns são mais evoluídos que outros, o que certamente, significa que, se na terra deparamos com pessoas boas, meigas e humildes, também encontramos outras más, obstinadas, revoltadas e portadoras de tendências menos edificantes.

Deus reside no interior de todo homem, porém, poucos sabem acha-Lo.

O sentido desta passagem evangélica é demonstrar aos homens que todos os que vivem neste planeta, estão em missões redentoras, pois nelas encontraremos uma explicação para a violência e para a ausência de sentimentos fraternais que reinam presentemente no mundo.

Tenhamos sempre em mente o episódio do cadáver do cachorro, pois ele nos ensina que, onde os apóstolos viam tão somente ossada e podridão, o Senhor notou uma coisa boa, que nenhum de seus companheiros havia observado: os belos dentes que o cachorro tinha.

Azis Neme

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