Política

Geisel espera sua UPA há 15 meses

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Construída e equipada: assim está a UPA Geisel/Redentor, a quarta instalada em Bauru. Ela, no entanto, ainda não funciona nem há previsão para que abra as portas à população. Isso porque a prefeitura não sabe se os 94 médicos que atuam no Departamento de Urgência e Emergência serão suficientes para atender à demanda gerada pela nova unidade, que está com a entrega atrasada em 15 meses.

A dúvida é do próprio secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. Ele afirma que, seguindo a tendência já confirmada pela inauguração das três primeiras UPAs, a Geisel/Redentor vai desafogar o número de pacientes que passam diariamente pelo Pronto-Socorro Central (PSC), em torno de 450.

A pasta, porém, não sabe se isso significa que será possível transferir para a nova unidade a atuação de médicos atualmente escalados para atendimentos no PSC. “Não é uma equação simples, mas é possível. Mas é claro que a prática vai mostrar se o que nós entendemos é ou não viável”, pondera Monti, ao negar que a secretaria tomará decisões “no escuro” no que tange ao funcionamento da UPA.

A solução para o problema seria o concurso para médicos clínicos, que está com as inscrições abertas até desde o dia 28 de fevereiro até o 1º de abril próximo. Há disponíveis, pelo menos, 12 vagas para esses profissionais. O processo, no entanto, deve ser concluído em, aproximadamente, três meses, período muito longo para deixar ocioso um novo – e necessário – imóvel público.

“Os concursos demandam de prazos muito maiores do que nós gostaríamos que fossem, até mesmo, para atender a sugestões do Ministério Público e à obediência a uma série de trâmites, inclusive para que os aprovados manifestem interesse pela vaga, se apresentem e assumam a função”, pontua Monti, que não soube explicar porque o processo foi aberto de forma tão tardia, já que o contrato para construção da unidade foi assinado ainda em 2010.

Será?

Apesar disso, o secretário frisa não ter certeza de que o concurso será necessário. “Se houver margens para o remanejamento, vamos fazê-lo”.

A possibilidade, porém, não é grande. Com base no perfil da unidade e na previsão de número de atendimentos ao dia, o Monti estima que sejam necessários 17 médicos para completar a escala da UPA Geisel/Redentor, já contabilizando as eventuais folgas dos profissionais.

Segundo o secretário, obrigatoriamente, os médicos precisariam ser remanejados do PSC, pois as UPAs Ipiranga, Mary Dota e Bela Vista já trabalham em seus limites. A última, aliás, precisa mais profissionais, em razão dos aproximados 400 atendimentos diários. “É a região mais populosa de Bauru. Vamos ter que reforçar”.


Horas extras

Outro fator quer deve dificultar o remanejamento de médicos é que a maioria já faz horas extras. Em novembro do ano passado, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde gastou R$ 1 milhão por trabalhos realizados por seus funcionários além da jornada legal.

Essa distorção, que incha a folha de pagamento da pasta – consumindo 70% de sua receita – é estimulada pela própria administração.

Para atrair concorrentes a vagas de médicos, a prefeitura divulga textos promovendo os valores que esses profissionais podem receber se cumprirem horas extras. O salário inicial oferecido é de R$ 3.561,00 para jornada de 20 horas, mas o valor dobra para aqueles que optarem por cumprir 40 horas semanais. 

 

Faltam ainda 30% dos funcionários

Além dos médicos, a prefeitura precisa contratar os demais servidores que deverão atuar na UPA Geisel/Redentor. Neste caso, todos os concursos já foram realizados, mas 30% das vagas ainda estão em processo de admissão. De acordo com a Secretaria Municipal de Administração, a efetivação de 17 funcionários restantes deve demorar, aproximadamente, 30 dias.

Vão trabalhar na unidade dois assistentes sociais (ambos já tomaram posse); oito enfermeiros (cinco tomaram posse); 32 técnicos de enfermagem (21 tomaram posse); um técnico de farmácia (em processo de admissão); seis técnicos de radiologia (quatro tomaram posse); dois auxiliares de administração (ambos tomaram posse); e cinco atendentes (dois tomaram posse).

A UPA terá capacidade para 300 atendimentos ao dia e encerrará o ciclo de descentralização dos atendimentos de urgência, promovido pelo secretário Fernando Monti e carro-chefe do programa de Saúde de Rodrigo Agostinho. A unidade é do tipo 2, superior às UPAs do Mary Dota e Ipiranga, mas inferior à do Bela Vista, que é do tipo 3, considerada referência regional.

A l empresa responsável pela construção da UPA foi a Rio Obras e Comércio de Materiais de Construção Ltda., de Mirassol, que apresentou orçamento de R$ 3,3 milhões pela execução, que tinha prazo inicial de 10 meses. Houve atrasos, mas o prédio foi entregue no início deste ano. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, resta somente a ligação definitiva da energia elétrica pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

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