Cultura

Eles fazem Harlem Shake!

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Pessoal da Alto Astral cai na dança e adere de vez à onda que tomou conta da Internet

Com máscaras, capacetes, fantasias... Um grupo dança freneticamente uma música estrangeira, com ritmo empolgante. O lugar? Pode ser no parque, na praça, dentro de casa, no escritório e até na piscina.

Sim, estamos falando da nova moda da Internet, o famoso Harlem Shake, meme que se espalhou rapidamente pela rede.

Adotado principalmente pelos mais jovens, o hit Harlem Shake (“shake” significa se requebrar) começou a se propagar a partir de fevereiro, logo após o Carnaval, pelo Youtube.

Em aproximadamente 35 segundos, o vídeo viral tem dois estágios: um mais “light”, no qual apenas uma pessoa dança. De repente, o ritmo muda e fica mais agitado - e todo o grupo cai na dança, fazendo movimentos aleatórios ou com alegres conotações sexuais.

A brincadeira surgiu após um vídeo entre quatro amigos dançando com fantasias de látex em um quarto, ao som da música Harlem Shake, do produtor musical americano Baauer. A produção foi postada no Youtube no início de fevereiro.

Na ocasião, o quarteto dança em torno de 36 segundos da música original - um vestido de E.T., outro de Power Ranger, um de chinês e o último vestido com uma roupa cor de rosa.

O sucesso desse vídeo causou grande repercussão pelo mundo afora, acumulando milhares de acessos. O viral passou a ser reproduzido com edições e adaptações diferentes.

Brasileiro e cultura de massa

Contudo, como explicar uma manifestação essencialmente engraçada, que não carrega muito sentido nem significado, tenha sido tão apreciada por pessoas de vários cantos do mundo? Inclusive, os brasileiros são os usuários da rede que mais aderiram à nova moda.

Sandro Paveloski, pesquisador na área de mídias sociais e diretor de redação da Editora Alto Astral, explica que o meme Harlem Shake, por ser uma manifestação engraçada e musical, consegue, de certa forma, “mexer” com as pessoas, que acabam se identificando com o movimento, a música ou humor específicos.

Isso, na avaliação dele, reflete uma situação, no Brasil - que leva a crer que o brasileiro não tem identidade e, por isso, se apega tão facilmente às chamadas “modas”.

“O brasileiro tem algumas dificuldades em relação a sua identidade cultural. Acaba por adotar uma identidade importada ou se apega à cultura de massa”, examina. “Somos muito ligados à cultura de massa, não temos aquela coisa de valorizar o regional... Então, qualquer meme que tenha toque de humor, tenha caráter musical, seja fácil de propagar e de se identificar, tem  chances de ser apreciado pelo brasileiro que navega pela Internet”, discorre.


Em Bauru...

Em Bauru, a febre do Harlem Shake já foi adotada nos mais diversos locais e espaços. Clubes, praças públicas, academias e escolas já fizeram suas versões.

Um exemplo foi a Editora Alto Astral, que autorizou seus funcionários a entrarem na onda. O grupo, dotado de máscaras, sacos de papel e outros acessórios, fez questão de fazer um vídeo repleto de “alto astral”.

Harlem Shake dos alunos de design da Unesp também ganhou repercussão positiva. Com “bixos” bem fantasiados, o vídeo já tem mais de 17 mil visualizações no Youtube.


Proibir o meme na escola?

A onda do Harlem Shake já garantiu gargalhadas e até reforçou laços de socialização. Mas a polêmica ronda o “fazer ou não fazer” o vídeo em determinados lugares, ou com determinadas pessoas.

As escolas, por exemplo, se dividem: algumas liberam a brincadeira entre os alunos, outras proíbem rigorosamente, taxando a iniciativa de banal.

Sandro Paveloski considera negativa a proibição do vídeo nas escolas. “Se é um lugar que coloque em risco a produtividade ou as pessoas, até é compreensível que não ser faça o Harlem Shake. Mas as escolas têm que entender que a nova cultura de massa dessa geração está vinculada diretamente e profundamente com a Internet”, aponta.

“Assim como os jovens usam o Google pra fazer trabalhos escolares, eles estão se relacionando com os amigos, estão construindo seus laços sociais através da Internet. E é natural que um meme – de dança, de protesto ou de humor - vá nascer na Internet e chegue nas escolas”, ressalta.

O que essas instituições precisam fazer, na avaliação do especialista, é tirar proveito e não colocar restrições. “Dá pra tirar proveito para do vídeo, por exemplo, para fortalecer a união e a socialização, e até atenuar o bullying. O professor pode ainda fazer um trabalho didático com a linguagem do vídeo e da Internet, e levar para discussão a repercussão dos memes na sociedade”. 

E vai além: “Dá pra fazer, por exemplo, concurso de memes e adaptações com caráter educativo. Não adianta: são novas formas de socialização e a escola não deve se contrapor a isso. Estamos vivendo diante de uma nova geração”, conclui Sandro.


Mas... o que é meme?

O termo ‘meme de Internet’ é usado para descrever um conceito que se espalha rapidamente via Internet. Pode ser uma manifestação de protesto, musical e que usa o humor em diversas linguagens que exploram imagem, desenho, música, vídeo...

O termo é uma referência ao conceito de memes, que integra uma teoria ampla de informações culturais criada por Richard Dawkins em 1976, no livro “The Selfish Gene”.

Na análise do pesquisador de mídias sociais, Sandro Paveloski, o Harlem Shake pode ser considerado um meme já que virou uma “onda” pelas redes sociais.  “Eles surgem e acabam periodicamente. Sempre tem um novo aparecendo”, indica.

 

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