Regional

Ator diz ?sofrer de verdade? em encenação da Paixão de Cristo

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

Quando se anuncia espetáculo da encenação da Paixão de Cristo existe uma referência na região: Ibitinga (90 quilômetros de Bauru). A cidade mantém a tradição de mostrar a Via Sacra de Jesus num enorme palco montado no Recinto de Exposições. A busca pela perfeição é tão grande que o ator Robson Pinheiro, que interpreta Jesus, admite levar açoitadas e pedradas de verdade em  momentos mais tensos do Calvário de Cristo. A segunda apresentação será amanhã às 20h no Recinto de Exposição. A cada ano os cenários, figurinos e os efeitos especiais são aperfeiçoados.

Dizer que Jesus apanha de verdade não é licença poética: acaba acontecendo pequenos incidentes pela busca do realismo, revela o ator, um ex-bancário aposentado que se dedica à saga de Cristo desde 1983. O espetáculo é exaustivamente ensaiado para evitar justamente os contratempos, no entanto não tem como não acontecer incidentes durante a encenação da Via Sacra, típicos de espetáculos teatrais ao vivo. Nem sempre o que foi combinado sai como está no script. Neste ano, na primeira apresentação do grupo teatral na cidade de Nova Europa, Pinheiro levou uma martelada de verdade em uma das mãos de um dos soldados na hora em que Jesus vai ser colocado na cruz. “Doeu muito, mas tive que suportar, saiu lágrimas dos olhos”, conta.

Em outras ocasiões, já ocorreu de levar esbarrões dos soldados e ir ao chão na cena em que Jesus é preso. “No ano passado, em Ibitinga cai em cima do braço. Não houve fratura, tive que aguentar o espetáculo inteiro com dor”, revela Robson, que vai encenar pela 122ª vez.

No sábado e domingo último, o grupo abriu a Semana Santa em Boraceia e Itapuí com apresentações em praça pública. Ontem à noite teve a primeira apresentação em Ibitinga. É comum quando termina a encenação marcas pelo corpo dos “açoites” e de pedradas. “Em algumas vezes, sou açoitado mesmo. Dói muito. Por isso, que me preparo fisicamente para suportar esses pequenos acidentes”, conta Robson.

Fora esses imprevistos num espetáculo composto de 152 atores, há uma preocupação com a segurança e todos os cuidados, como na cena da ressureição em que Jesus “voa” literalmente. Na verdade, é uma plataforma hidráulica que impulsiona o ator a uma altura de quase 10 metros que sob efeitos de luzes é o grande final do espetáculo. “A cena emociona as pessoas. Sempre tem alguém que chora”, conta o ator.

Neste ano, há 92 novos figurinos e o Palácio de Pôncio Pilatos é maior do que do ano anterior. “Melhoramos o acabamento e tentamos recriar como seria na época”, conta. O Palácio é feito de isopor, revestido com armação metálica com 20 metros de frente e 12 metros de altura. Antes do início da Via Sacra tem um “esquenta” com a banda “Doce Veneno” tocando músicas do padre Marcelo, padre Zezinho e outros hinos religiosos. “É para preparar o ambiente”, conta Robson antes de iniciar o seu “calvário” teatral.


Em Iacanga, Jesus perde barba e cabelo

Pelo terceiro ano consecutivo a Cia. Teatral Mandrágora de Bauru leva para a Praça Central de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) a montagem: “A Paixão de Cristo” amanhã, a partir das 20h30.  A idealização é da prefeitura da cidade que apoia o espetáculo. No ano passado 3.800 assistiram à peça. É um dia especial, o padre conduz os fiéis em uma procissão que tem seu percurso terminado onde se encontra o elenco preparado para a encenação. Apresentação é sempre recheada de lágrimas e muita fé, segundo a atriz Mirian Alves.

Segundo ela, todo ano a Cia. tenta mostrar, sem fugir do contexto bíblico, algo inovador no que diz respeito à arte do teatro. “Em 2012, o povo que, grita para crucificar Jesus, foi simbolizado por um grupo de atores que usavam máscaras, mostrando as dissimulações da população atual. Este ano nosso Jesus perdeu a barba e o cabelo. É representando por um ator pardo, que não dispõe de olhos azuis e cabelos louros, nossa intenção é desmistificar o estereótipo daquele Jesus que vemos em filmes e folhas de calendário, e aproximar da população uma imagem de Jesus como um homem comum”, conta Mirian.

O espetáculo é contado por dois anjos que se movimentam e participam diretamente da história o tempo todo. As cenas de tortura não ganharam tanta intensidade como nos outros anos, usando uma beleza plástica a fim de encher os olhos de quem vê, conta a integrante do grupo.

O elenco é composto de Beatriz Silva, Diogo Buenno, Djan Fernandes, Graziele Couruzzi, Gislaine Reis  e Mirian Alves e convidados especiais: Aline Prado, Henry Cristino, Marcela Denone e Vinicius Lozano. O texto e direção é de Graziele Couruzzi.

Comentários

Comentários