Polícia

Polícia Civil prende psicopata serial

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

Fotos: Neide Carlos

Welington Albuquerque Santos foi preso ontem de manhã em sua casa, no Jardim Petrópolis

“Não tenho que pedir desculpa. Já fiz mesmo, ué?”. Foi o que, com a cabeça baixa, Welington Albuquerque Santos, 24 anos, disse à reportagem ao ser questionado se queria pedir perdão à família de Sandra Maria da Silva, grávida estuprada e degolada no Mary Dota no começo deste ano. Ele assumiu não só este crime. Também confessou ter estuprado uma jovem dias antes e esfaqueado um taxista.

“É um psicopata serial”, cravou, impressionado com a frieza de Welington, o delegado Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais. “Tiramos um psicopata das ruas”.

A prisão de Welington foi efetuada pela Polícia Civil na manhã de ontem na casa em que ele morava com a mulher e com o filho, de pouco mais de 1 ano, no Jardim Petrópolis. O mandado de busca era por conta da tentativa de latrocínio ao taxista Waldemar Martins de Azevedo, 72 anos, ocorrida na manhã do dia 15 de fevereiro.

“Ele não estava na residência, mas falamos com a esposa. Ela acabou contando que, no dia da tentativa de latrocínio, Welington havia chegado machucado e que havia perdido os óculos”, conta o delegado Cledson do Nascimento.

Os óculos foram localizados na tentativa de latrocínio e a participação neste crime se tornou praticamente certa, porém, algo chamou atenção: o uniforme que o homem trabalhava em uma empreiteira de serviços elétricos.

“No dia 21, por volta das 10h da manhã, uma jovem de 21 anos havia sido estuprada perto

Delegados Kleber Granja e Cledson do Nascimento; campana na casa de Welington

da Nações Norte. Ela disse que o estuprador usava botas e tinha um uniforme cinza. O logotipo da empresa era ‘cortado’ ao meio”, conta Cledson.

Por meio das investigações, a polícia trabalhava com forte hipótese de que este estupro havia sido cometido pelo mesmo homem que, nove dias depois, teria estuprado e degolado Sandra da Silva, próximo a um frigorífico no Mary Dota. “O modo como as roupas íntimas das duas vítimas foram cortadas era o mesmo”.

Uma equipe da DIG montou campana na casa e esperou até a chegada de Welington. Já a outra foi para a empresa em que ele trabalha, onde encontrou peça que faltava do quebra-cabeça. Na folha-ponto, descobriu-se que o homem prestou serviço no Jardim Chapadão exatamente no dia em que Sandra foi brutalmente assassinada. O local do trabalho era a 100 metros de onde o corpo estava.

José Pereira de Lima, marido de Sandra, diz que perdoa Welington

Com detalhes

“Ele abaixou a cabeça e confessou tudo. E os relatos tinham uma frieza e riqueza de detalhes monstruosas”, conta Kleber Granja. No depoimento, de mais de seis páginas, ele afirma que ameaçava as vítimas com uma faca de mais de 20 centímetros e, depois, fazia as mulheres ficarem despidas.

“Depois, ele usava a faca para cortar as roupas íntimas e as estuprava”, relata o titular da DIG. No primeiro estupro, ele disse que a intenção era matar, porém, disse que não teve coragem.

Foi decretada prisão temporária por 30 dias, que podem ser prorrogados por mais 30. “Ele responde pelos dois estupros, pelo assassinato triplamente qualificado de Sandra, pela morte do feto dela e pela tentativa de latrocínio. Mais uma vez, repito: um monstro foi tirado das ruas”, finaliza Kleber Granja.


As vítimas: grávida, jovem e taxista

O primeiro crime ocorreu no dia 21 de janeiro, por volta das 10h. Na ocasião, Welington Albuquerque Santos estuprou uma jovem de 20 anos, na quadra 21 da rua Coronel Alves Seabra, próximo à Nações Norte. “Em depoimento, ele afirma que a intenção era matá-la. Só não fez porque não teve coragem”, conta o delegado Kleber Granja.

Por conta do trauma, a vítima, que estava em direção ao trabalho, até mudou de Bauru. Ela virá para reconhecer o autor confesso.

Óculos de Welington foram localizados após tentativa de latrocínio

Nove dias depois, Wellington encontrou, por volta das 6h30, Sandra Maria da Silva, 36 anos, no Mary Dota. Lá, o homem estuprou e assassinou a vítima, que estava grávida de dois meses.

“Ele contou que passava ao lado dela e acertou um soco em sua cabeça. Depois, já colocou a faca em seu pescoço e a arrastou para perto de uma árvore”, conta Granja.

Após buscas por todo o bairro, Sandra, que tinha três filhos e trabalhava em um frigorifico do bairro, foi localizada pelo marido pouco após a meia-noite do dia seguinte. Ela estava sem as roupas e com um corte profundo na garganta.

O último crime foi a tentativa de latrocínio contra

o taxista Waldemar Martins de Azevedo, 72 anos, na rua Iracema de Cândida Posca, que fica ao lado do Cemitério dos Lírios. Após Welington anunciar o assalto, a vítima reagiu. “Ele cravou uma faca no peito do taxista e girou”, relata o delegado.

Durante a briga, o autor derrubou os óculos de grau que usava. Câmeras de vigilância de uma empresa nas proximidades mostram o momento em que o táxi passa e, logo depois, Welington volta correndo segurando uma mochila.

“Era a mochila que estava a faca. Ele disse que jogou ali por perto. Ainda não conseguimos localizar”, finaliza Kleber Granja.


‘Eu o perdoo’, diz marido da vítima

“A mamãe virou uma estrelinha”. É isso que José Pereira de Lima, 27 anos, fala para os filhos, de 1 e 3 anos, para explicar o motivo de Sandra Maria da Silva não voltar para casa. A verdade é muito pior, porém, do que a inocência das crianças pode acreditar.

A vida de José mudou muito desde o dia 30 de janeiro. Ele perdeu, de forma brusca, a esposa, que havia acabado de descobrir uma gravidez. Contudo, o encarregado de limpeza convivia com algo além da tragédia: passou a ser suspeito do crime. “Colocaram placas no bairro dizendo que sabiam que eu era o responsável e que meus dias estavam contados”, conta. Por isso, a notícia ontem veio com muito alívio.

“Eu tinha acabado de olhar a foto dela (Sandra) e chorado. Perguntei quando essa agonia iria acabar. Minutos depois, tocou meu celular”.

Entretanto, ele surpreende e afirma que perdoa o assassino confesso. “Eu só queria saber o motivo que ele fez isso. Deus é quem pode decidir o que vai acontecer com ele. Como pessoa, eu o perdoo. Se Deus perdoa, quem sou eu para não fazer isso”, finaliza José Pereira de Lima.


‘Um homem desses tinha que estar morto’, desabafa taxista esfaqueado

Se o marido da mulher que foi estuprada e degolada demonstra perdão a Welington Albuquerque Santos, o taxista Waldemar Martins de Azevedo, 72 anos, não consegue ter tamanha compaixão.

“Um homem desses tinha que estar morto”, desabafa, mostrando as cicatrizes que ficaram da tentativa de latrocínio. Por conta da facada no peito, ele ficou 28 dias internado, sendo que, desses, sete foram na UTI.

Waldemar começou a trabalhar como taxista em 2001, quando comprou o ponto no Jardim Bela Vista, e já foi assaltado há cinco anos no Gasparini. “Nessa ocasião, fui assaltado por volta das 10h. Também fui esfaqueado. Isso revolta”, conclui.

 

 

Veja momento em que Welington Albuquerque Santos foge após tentativa de latrocínio

Comentários

Comentários