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Alunos aterrorizam escola estadual

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Carros de funcionários da Escola Christino Cabral foram riscados por estudantes

Alunos e professores da Escola Estadual Professor Christino Cabral, localizada no Jardim Estoril 2, em Bauru, estão vivendo momentos de terror dentro da própria instituição de ensino desde a última sexta-feira. Estudantes atearam fogo em cortinas, promoveram brigas e até danificaram carros de funcionários que estavam estacionados nas ruas.

Tudo começou com o furto de diversos fones de ouvido, cartões para transporte coletivo e dinheiro. O fato ocorreu, segundo o boletim de ocorrência (BO) e relato dos próprios alunos, quando acontecia o intervalo do período da manhã. Ao chegarem à sala de aula, os estudantes foram surpreendidos com as bolsas abertas e reviradas. A Polícia Militar (PM) foi acionada, porém o acusado pelos furtos não foi encontrado.

Anteontem, três adolescentes, de 11, 12 e 13 anos, foram flagrados danificando oito veículos de uma secretária e de sete professoras que estavam estacionados em frente à escola. A PM compareceu ao local e registrou boletim de ocorrência de ato infracional de dano.

Mais tarde, por conta da presença dos policiais, outro aluno, de 15 anos, ateou fogo na cortina de uma sala e deixou estudantes, funcionários e professores em pânico. O incêndio foi controlado, mas ontem pela manhã atearam fogo em outra cortina e vidros de uma sala de aula foram quebrados.

Medo

Duas estudantes, que tiveram a identidade mantida em sigilo, relataram que não querem mais estudar na instituição de ensino e que estão com muito medo. “Hoje os alunos pularam o muro e atearam fogo na cortina e em papéis. Já fugiu do controle, não quero mais estudar aqui”, disse uma das garotas.

O pai dela, que também teve a identidade preservada, lamenta as ações, já que matriculou a filha na instituição por conta da boa referência. “Moro no Jardim Bela Vista e tive muita dificuldade para conseguir uma vaga aqui para ela. É lamentável porque era uma ótima escola. Agora não quero mais que ela estude aqui”.

Outro lado

Em resposta aos questionamentos da reportagem, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou, em nota, que “considera inadmissíveis os atos de vandalismo registrados na tarde de ontem (anteontem) nesta escola e enfatiza que a participação dos pais é imprescindível para conscientizar crianças e adolescentes sobre as boas práticas de cidadania”.

O informativo esclareceu ainda que, dos dois jovens que danificaram carros estacionados próximos à escola, apenas um deles era aluno da instituição. Ambos foram levados por policiais militares à Delegacia de Polícia da Infância e Juventude (Diju). O mesmo procedimento foi realizado com o adolescente que ateou fogo em uma cortina da classe que frequenta.

Com relação à ação de ontem pela manhã, foi justificado que a denúncia dos alunos e de um pai não procedem em sua totalidade. “Não procede a informação que alunos do período da tarde invadiram a escola e atearam fogo novamente nas cortinas e em papéis hoje (ontem) pela manhã. Durante o intervalo outros dois estudantes do ensino médio quebraram os vidros de uma janela da sala de aula”.


Medidas

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirma que a direção da escola já convocou os responsáveis pelos alunos para uma reunião a fim de relatar o ocorrido e ressaltar a importância da parceria entre escola e família para evitar episódios semelhantes, além de promover o debate sobre a importância da preservação do patrimônio público.

A dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, confirma que essa sequência de ocorrências preocupa. Além de reafirmar que serão tomadas medidas de apuração, aponta que há várias ações preventivas, como a atuação do professor-mediador e a parceria com diversos outros órgãos.

Contudo, a dirigente pede mais participação dos pais. “É mais do que essencial que os pais acompanhem esses alunos. Em um dos casos, por exemplo, o aluno nunca tinha ido à escola desde a matrícula. Os pais precisam atuar também para evitar problemas”, completa.

A equipe gestora fará ainda acompanhamento específico junto aos estudantes e o conselho de escola se reunirá com a Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude para definir quais medidas serão adotadas.


Violência não se restringe ao Christino

E a onda de violência escolar não é restrita ao Christino Cabral. Foram, pelo menos, outros três casos registrados na polícia envolvendo instituições de ensino de Bauru.

Na noite de anteontem, um adolescente de 15 anos foi flagrado por uma funcionária pichando a escola onde estuda, localizada na rua Agenor Meira, próximo à praça das Cerejeiras, em Bauru. O adolescente, que é aluno da escola no período da tarde, fugiu após ser flagrado.

Na mesma noite, o motorista de um circular registrou boletim de ocorrência por dano qualificado. Ele alega que alunos de uma escola do Jardim Redentor arremessaram pedras contra o coletivo.

De acordo com o BO, o motorista trafegava pela rua São Valentim e, quando passou em frente à escola, foi surpreendido pela atitude dos estudantes. Do interior do colégio, arremessaram diversas pedras contra o veículo, quebrando um dos vidros.

Na terça-feira à tarde, a mãe de uma adolescente de 13 anos foi ao Plantão da Polícia alegando que a filha teria sido ameaçada e agredida por duas colegas de classe. O fato ocorreu em uma escola do bairro Nobuji Nagazawa.

No relato à polícia, a vítima diz que foi ameaçada por uma das meninas e agredida pela outra. As mães das adolescentes envolvidas assinaram termo de responsabilidade e todas foram liberadas após prestarem depoimento na delegacia.

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