Batizado pelo botânico Lineu de "theobroma", a palavra chocolate significa "alimento dos Deuses". Amado e desejado por cerca de sete em cada dez pessoas, esse delicioso alimento nasceu como a bebida preferida dos deuses maias. Com o tempo, de tão precioso, virou moeda para os astecas e só se tornou barra comestível no século 19, na Europa. Durante a Segunda Guerra, o chocolate alimentou o exército americano e nos meados do século vinte a ciência descobriu suas capacidades antidepressivas.
Composto por carboidratos, lipídeos, aminas biogênicas, neuropeptídios, metilxantinas (teobromina e cafeína), o chocolate é produzido quotidianamente. No entanto, poucos conhecem a forma como ele afeta o nosso corpo.
O cacau, que é a fonte primordial de sua composição, tem efeitos oxidantes e também possui o chamado ácido oleico que é conhecido por proteger as artérias, elevar o HDL (colesterol bom) e diminuir o LDL (colesterol ruim). Por isso, quando consumida moderadamente, essa deliciosa guloseima pode trazer benefícios para o organismo, reduzindo substancialmente o risco de doenças cardíacas. Além do mais, o chocolate contem as poderosas vitaminas A, B, C, D e também importantes minerais, tais como o potássio, o ferro, o sódio e o flúor.
Essa verdadeira delícia só faz mal a saúde se for consumida em excesso. O chocolate amargo ajuda até mesmo a emagrecer. Isso mesmo! Quando consumido em pedaço pequeno (acima de 60% de cacau), o chocolate amargo diminui a vontade de comer doces e ainda ajuda a acelerar o metabolismo, facilitando a perda de peso.
Em especial, as versões ao leite e branco são mais calóricas, por isso, seu consumo deve ser pequeno. Pessoas obesas, com predisposição a engordar, ou que querem manter a forma física, devem comer esse tipo de chocolate com moderação ou mesmo evitar a ingestão do produto. Os chocolates mais doces também contêm grande quantidade de gordura saturada, sendo prejudiciais à saúde por poderem causar entupimento das artérias e, consequentemente, acarretar doenças cardiovasculares.
O fascínio que o chocolate exerce sobre as pessoas pode ser explicado pelas substâncias inebriantes que ele contêm, como a cafeína, que é estimulante; a teobromina, que ativa o músculo do coração e o sistema nervoso e a feniletilamina, que é responsável pelo bom humor. Daí a razão de ser, o chocolate, um companheiro tão bom nas fossas amorosas. Muito procurado nos momentos de crises pessoais, o chocolate é considerado uma espécie de substituto do "afeto", pois ele parece interagir com uma série de sistemas neurotrasmissores que contribuem para o apetite, a sensação de recompensa e a regulação do nosso humor.
Inspirador do romance, há séculos, o chocolate é considerado um dos melhores presentes para quem deseja declarar o seu amor. Diz à lenda que, quando a princesa Maria Tereza da Espanha ficou noiva do rei Luís XVI, da França, ele enviou-lhe chocolates de presente, em uma cesta em forma de coração. Foi assim que surgiu o costume dos namorados se presentearem com chocolate. A relação entre chocolate e romantismo é tão natural, que o seu próprio sabor já está associado à paixão e ao amor. Um estudo da BBC indicou que um chocolate, derretendo na boca de uma pessoa, causa um aumento na atividade cerebral e nos batimentos cardíacos, considerado mais intenso do que o estímulo provocado por beijos apaixonados, chegando a durar quatro vezes mais tempo, após o término da atividade.
A tese já está comprovada: mulheres são, mesmo, apaixonadas por chocolate. A explicação dessa paixão feminina está na serotonina, que é um neurotransmissor considerado o "hormônio da felicidade". Segundo demonstram as pesquisas, os homens conseguem sintetizar a serotonina mais rapidamente do que as mulheres e são capazes de armazenar o dobro dessa substância, por isso se controlam mais antes de "atacar" um chocolate. Já, as mulheres, principalmente na TPM, sofrem uma queda na taxa de estrogênio e uma elevação dos níveis de progesterona, o que também está associado a uma diminuição natural da serotonina. Daí a vontade enorme que elas sentem de devorar uma barrinha, de vez em quando.
Ótimo presente para ambos os sexos e todas as idades, o chocolate proporciona a mesma sensação de estar apaixonado. Hoje existem muitas variedades e há sempre um tipo que é o mais indicado para cada paladar e para cada organismo. De todas, a modalidade amarga é a mais saudável; o chocolate ao leite, é o mais doce e mais calórico; o que tem indicação de 0% açúcar é o apropriado para os diabéticos; a versão orgânica não tem agrotóxicos; o tipo sem lactose ou glúten pode ser consumido pelos celíacos ou intolerantes a lactose. A quantidade necessária para que essa delicia faça parte da sua vida sem causar transtornos e ainda proporcionando saúde e prazer é de 30 gramas diárias. É ou não é uma boa notícia, essa?
A autora, Eliane Petean Arena, é nutricionista