Bairros

Geisel: capital regional das flores

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Douglas Reis

Sem química: o arquiteto e paisagista Cássio d’ Abril trabalha com ecobromélias

Orquídeas, azaleias, crisântemos, bromélias, palmas, margaridas, hastes, rosas, violetas, gérberas, kalancho, samambaias e uma infinidade de outras espécies comuns e exóticas são comercializadas diariamente no setor de plantas e flores da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), localizado na quadra 50 da avenida Nações Unidas, no Núcleo Geisel, em Bauru. Com cerca de 15 anos de atividades, o galpão fidelizou consumidores do varejo e do atacado de todos os pontos de Bauru e de municípios em um raio de 100 quilômetros.

 

De acordo com o técnico operacional agrícola do Ceagesp, Augusto Remoli Filho, a boa procura se deve à variedade, infraestrutura e preços acessíveis. “A popularidade trouxe a necessidade de ampliação, e o pavilhão ganhou 10 estufas e uma área experimental em 2009”.


Atualmente, o setor conta com 40 módulos no galpão de flores, 10 estufas e uma área adicional com vasos e plantas. O público varia entre amantes das flores que buscam presentear e enfeitar suas residências, floriculturistas, supermercadistas, paisagistas, cerimonialistas, funerárias, igrejas etc. Em datas comemorativas, como Dia dos Namorados, Finados e Dia das Mães, as vendas crescem ainda mais.      

Variedade

E no galpão é possível encontrar de tudo um pouco: artesanato, grandes vasos de decoração, decoração miúda para pequenos apartamentos e até mesmo um serviço que oferece o material e a montagem de lagos artificiais de todos os tamanhos para comércio, casas e até apartamentos. E isso inclui a venda de peixes ornamentais.


Especialistas em gramado, paisagismo e muitas espécies de plantas oferecem toda a infraestrutura necessária para o cultivo e a manutenção tanto de mudas quanto de exemplares adultos.

Desde o início

Um dos pioneiros do setor, o distribuidor de flores e plantas ornamentais  Kurt Werle aposta nas flores de corte. Para ampliar as vendas, ele montou uma câmara fria no Ceagesp para aumentar a durabilidade e manter a beleza das pétalas por mais tempo: “Eu vendo muitas espécies, mas as de corte são os alvos da minha clientela, e o ar frio prolonga a vida útil dessa flores”.


Há quem selecione uma espécie para se aprimorar. E as orquídeas foram as selecionadas por Mauro Luiz de Nadai, orquidófilo há 35 anos. “Eu decidi transformar o hobby em profissão quando começou a ficar caro demais”, diz o produtor, que vive e tem orquidário em Arealva.


Milhares de espécies compõem a coleção de Mauro, que é procurada também por colecionadores e exposições. “Tenho flores que custam R$ 5,00 e outras que valem uma fortuna por sua nobreza e valor sentimental”. 

Ceagesp/Bauru

•Comercialização:


de segunda a sábado,

das 6h às 12h


•Feira de Flores:


terça e sexta, das 6h às 7h (atacado) e terça e sexta, das 7h às 12h (varejo)


•Localização:  


avenida Nações Unidas, 50-98, Residencial Presidente Geisel, Bauru


Telefone: (14) 3203-2000 e 3203-2525

 

Oferta e (grande) procura

Variedade e preços acessíveis fidelizam clientes em Bauru e região

 

Parte da rotina laboral de Dirceu Antônio Chies e Elizabeth Modolin Chies consiste em sair do bairro Bela Vista, onde o casal tem um mercado, e ir até o Geisel comprar flores no Ceagesp. Assim como a dupla de comerciantes, pessoas de todos os cantos da cidade “migram” para o Geisel quando o assunto são flores.


“Aqui o serviço é completo e os preços atraem, por isso vem gente de todos os cantos de Bauru e região. Os permissionários vendem as plantas e todo o material necessário para o cultivo ou ornamento, além de dar dicas de manejo”, expõe Augusto Remoli Filho, técnico operacional agrícola do Ceagesp Bauru.


De acordo com o viveirista Edgar Braga, o consumidor não quer somente comprar, quer aprender a cuidar e, por isso, é fundamental o aperfeiçoamento sobre o assunto para cativar os clientes. “Eu, por exemplo, tenho vários cursos, mas aprendi muito com a experiência de anos e anos, e a gente passa isso para quem compra”.


Entre espécies ornamentais e árvores para sombra, as frutíferas são as preferidas dos consumidores, segundo Edgar. “A jabuticabeira é bastante procurada por ser fácil de cuidar”, conta ele. Vendo plantas com até 25 anos de idade e em plena produção. As pessoas preferem porque as mudas são mais suscetíveis a ataques de pragas”, comenta o viveirista de Herculândia, que tem um módulo no Ceagesp desde 2003.  


Artificiais

Mas nem todo mundo que procura o galpão de plantas quer flores vivas. Pensando nessa fatia do mercado, o Ceagesp também tem módulos que oferecem plantas artificiais, peças de decoração, arranjos, etc.


“Nós vendemos principalmente para paisagismo em empresas, consultórios e clínicas médicas - as últimas principalmente por não poderem usar flores vivas. Mas também há quem compre para enfeitar a residência. Nosso diferencial está nos vasos importados do Vietnã, de várias cores e tamanhos”, conta o permissionário Haroldo Ribeiro ao lado de sua esposa, Geisa de Oliveira Ribeiro.   

 

De toda a região

Além de atrair clientes de todos os cantos de Bauru, o setor de plantas e flores do Ceagesp também é alvo de consumidores de várias cidades da região, que vêm em busca de variedade e bons preços.


A floriculturista Mariza dos Reis é exemplo de quem se desloca quilômetros em busca dos melhores produtos e ofertas. Ela mora em Jaú, tem uma floricultura em Itapuí e praticamente toda semana vem a Bauru comprar flores. “Levo mudas para paisagismo, vasos para presente e flores de corte”, conta.  


Enquanto uns compram para revender, outros visitam o espaço pelo prazer de encher os olhos com a beleza das flores e a oportunidade de enfeitar a casa. Dona Maria Aparecida de Mello é frequentadora assídua do Ceagesp. Moradora de Agudos, ela garimpa o setor de flores em busca de plantas para decorar a sua casa e presentear amigos.


“As flores são maravilhosas e, para mim, representam amor, paz e felicidade. Gosto de todas elas e não deixo faltar em casa. Ver flores é uma das coisas que mais me fazem feliz”, diz ela, enquanto se mostra encantada com a variedade de cores e formas ao seu redor.


Artesanato mineiro

Cachepôs, cestos, vasos e até mobília. Tudo feito artesanalmente na zona rural de Minas Gerais com folhas de bananeira, capim, taboa, palha de milho, cipó... Tudo isso também é oferecido ao público no setor de plantas do Ceagesp.


A mineira Sirlei Sales Castro vive em Bauru com a família há 12 anos, e frisa que o trabalho com artesanato é familiar e começou ainda em Minas Gerais com o sogro. Hoje, ao menos 10 pessoas da família estão envolvidas com a atividade que, além de Bauru, também é desenvolvida em Sorocaba e em território mineiro.


“O nosso diferencial é realmente o fato dos produtos serem feitos manualmente na zona rural de Minas. O trabalho feito com as mãos encanta os consumidores. Já passamos por dois grandes incêndios no estoque, mas demos a volta por cima”, finaliza.


Permissionários se especializam para atrair

Mudas de mogno africano são vendidas até pela Internet

A variedade de produtos é característica marcante no setor de plantas e flores do Ceagesp. Há módulos que vendem uma vasta gama de espécies para atrair o consumidor, assim como há quem se especialize em determinada planta visando chamar a atenção de um público específico.  


O mogno africano foi escolhido pelo viveirista Guilherme Iurconvite para diversificar o trabalho. Com cursos de especialização no assunto, ele está há sete meses no Ceagesp de Bauru e traz as mudas dos viveiros que mantém na região de Tupã.


“O destino dessas plantas é a produção de madeira. O mogno brasileiro é protegido por lei e o africano pode ser cultivado aqui para o corte, além de ser muito resistente às pragas. Eu importo as sementes do Senegal e vendo as mudas no Ceagesp e pela Internet”, ressalta.


Segundo Guilherme, o mogno africano é o novo “ouro verde” e as mudas são vendidas para quem quer investir em um novo e rentável negócio. Uma muda custa em torno de R$2,20 e o metro cúbico da madeira é vendido por mais de US$13 mil dólares. “Fazendeiros e médicos são os profissionais que mais buscam informações e têm comprado as mudas”, destaca.   

 

Ecobromélias

O  arquiteto e paisagista Cássio d’ Abril associou as formas das bromélias ao design e decoração e há 15 anos encontrou o seu caminho profissional no cultivo da planta. “Elas são esculturas vivas que são procuradas por paisagistas, decoradores, varejistas e o público em geral da cidade e região”.


Cássio contabiliza ao menos 20 mil espécies de bromélias devido aos cruzamentos feitos para melhorar os exemplares e adaptá-los à região. Mas o diferencial do seu trabalho, segundo ele, está mesmo na produção e no trato. “É um trabalho totalmente ecológico porque não uso química nas plantas. É tudo orgânico, como a adubação feita com folhas em decomposição, por exemplo”.


Ecojardinagem

Conhecer melhor as plantas e aprender sobre o seu cultivo é possível nos cursos de ecojardinagem e terapia verde oferecidos no Ceagesp durante todo o ano. As aulas ensinam desde as características dos diferentes tipos de plantas, de acordo com suas folhas e suas necessidades, até o manejo correto das espécies.


Podas, plantio de gramas, drenagem de vasos, multiplicação das espécies, além de dicas e receitas caseiras de inseticidas e adubos orgânicos também são ensinados no curso, que tem como uma das responsáveis a ecopaisagista e professora de ecojardinagem e terapia verde Góia Ferreira.


“O curso é um intensivão e ensina tudo sobre as plantas, além de tirar as dúvidas dos alunos. O aluno sai das aulas como uma espécie de clínico geral sobre o assunto. Entre as dicas que citamos está a terra vegetal, uma mistura de areia, argila e composto orgânico, e que é muito boa para a saúde das plantas”, explica.


Quando a dúvida é sobre irrigação, a dica é prestar atenção nas folhas. De acordo com Góia, plantas gordas não gostam de muita água, o contrário das folhas finas, como as samambaias, por exemplo, que devem ser regadas uma ou duas vezes por semana quando estão dentro de casa.

Serviço:

Uma nova edição do curso de ecojardinagem do Ceagesp está marcada para o próximo fim de semana.


Sábado (6) das 13h30 às 17h e domingo (7) das 9h às 17h. Mais informações pelos telefones

(14) 8154-7623 ou 9687-6106, com Góia Ferreira.






 

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