Nacional

Compra de armas de fogo cai 35%

Por Marco Antonio Martins | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Um levantamento divulgado ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que a proporção de famílias que adquiriram armas de fogo no país caiu 35% em seis anos, após a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em 2003.

Os cálculos foram feitos baseados em dados divulgados pelo IBGE entre 2003, antes do estatuto, e 2009, seis anos após a sua implantação. Segundo o levantamento, a compra anual de armas de fogo pelas famílias brasileiras caiu de 57 mil para 37 mil.

Neste período, 48 mil domicílios foram pesquisados em cada ano do levantamento.

De acordo com o estudo, o ponto de resistência ao estatuto está no crescimento de vendas da região Sul, que teve um aumento de 21%. Diferente de outras regiões do país, que apresentaram queda na compra de armas.

Mortes por armas cresce

O número de mortes provocadas por armas de fogo em residências cresceu 61,44% entre 2000 e 2010. O dado faz parte do estudo “Mapa das armas de fogo nas microrregiões brasileiras”, divulgado ontem pelo Ipea. De acordo com a pesquisa, os homicídios provocados por violência doméstica foram os que mais cresceram nos últimos anos.

“É crescimento e revela uma questão dramática de aumento no número de mortes dentro das residências”, explicou Daniel Cerqueira, diretor de Estudos e Política do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, um dos autores do estudo. “Quando alguém morre dentro de uma residência, em 90% a 95% dos casos, os perpetradores são maridos, namorados, cônjuges, parentes, vizinhos ou conhecidos. A morte dentro de casa não tem quase nada a ver com o crime econômico ou o crime organizado, mas é crime interpessoal. É a violência que nasce dentro dos lares”, afirmou Cerqueira, ressaltando que a discussão sobre violência doméstica ainda é um tabu no País.

O estudo foi realizado com base nos dados de morte violenta do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora tenha havido aumento nos números relacionados à violência doméstica, a pesquisa do Ipea conclui que o Estatuto do Desarmamento, instituído em dezembro de 2003, produziu “efeitos significativos” para diminuir as taxas de homicídio no País.

A conclusão vem da análise do número de assassinatos nas 20 microrregiões (locais com mais de 100 mil habitantes) com o maior número de armas nas mãos da população.

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