Fotos: Quioshi Goto |
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Polícia Militar Ambiental apreendeu um filhote de veado sob suspeita de maus-tratos |
Uma apreensão de diversos animais silvestres, entre eles, um veado - espécie ameaçada de extinção -, feita na última sexta-feira pela Polícia Militar Ambiental, retomou uma antiga discussão ainda sem uma resposta definida em Bauru: quem pode receber animais apreendidos? Neste caso, o próprio dono de 56 anos, acusado de maus-tratos, ficou com os 16 pássaros silvestres, cinco galos e o veado. (leia mais abaixo)
Há alguns meses, situação semelhante aconteceu com cerca de 70 cães com suspeita de maus-tratos, que foram apreendidos em um canil do Distrito de Tibiriçá, em Bauru. O locatário da chácara e responsável pelos animais foi retirado do local e quem ficou como fiel depositária desses cães por alguns meses foi a dona da chácara, Ana Maria Vieira, que é
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Diversos pássaros silvestres e cinco galos também foram apreendidos na mesma ação |
zoóloga. Hoje seus depositários são as Organizações Não Governamentais (ONGs) Naturae Vitae e SOS Gatinhos.
Questionado sobre a antiga discussão, o delegado Dinair José da Silva, titular do Distrito Policial (DP) de Crimes Ambientais, explicou que não há um órgão público para receber esses animais, por isso recorre à boa vontade de voluntários a serem fiéis depositários (leia mais abaixo). Por isso, o distrito criou uma lista de pessoas que se oferecem a receber e cuidar de animais apreendidos, sejam eles vítimas ou não de maus-tratos.
“Neste caso dos animais silvestres o delegado plantonista determinou que ficassem com o próprio dono e ele já compareceu ao DP, prestou depoimento. Estamos acompanhando o caso. Quando é um dia atípico, como foi esse, um feriado, fica mais difícil de encontrarmos depositários da nossa lista. Muitos viajam, outros têm compromissos, não é tão simples. Falta também transporte adequado. É a ausência do poder público que resulta na nossa opção por esses lares provisórios”, apontou.
‘Jogo de empurra’
Afinal, de quem é a responsabilidade de acolher esses animais? O JC apurou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não tem a responsabilidade de recolher e acolhê-los.
No entanto, para onde levar os animais silvestres apreendidos? Essas questões ficaram sem resposta. Na tarde de ontem a reportagem tentou contato com o diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires, para esclarecer o questionamento, mas não obteve sucesso nas ligações.
Damair Pereira de Almeida, delegada da Sociedade de Proteção Animal Mountarat, define a situação como “uma vergonha”. “É uma vergonha. Fica esse jogo de empurra-empurra e não se resolve nada. O zoológico não pode pegar? Deveria. O zoológico deve ser um lugar para acolher animais silvestres nessas situações, já que é especializado. Não adianta vermos só os animais bonitos lá. E os que precisam ser tirados dos donos porque estão maltratados?”, criticou.
Fiéis depositários
O delegado Dinair José da Silva, titular do DP de Crimes Ambientais, explica que qualquer pessoa pode se candidatar a ser um fiel depositário. “A pessoa deve vir até o DP e aqui passará por uma entrevista. Vamos ver se realmente ela tem condições de ser fiel depositária e acrescentaremos o contato dela à nossa lista”.
O 1º DP fica na avenida Comendador Daniel Pacífico, 2-117, Vila Martha (ao lado da Vila Falcão) e funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 18h. O telefone para contato é o (14) 3238-7377.
Final feliz
Apesar de alguns cães do canil de Tibiriçá não terem resistido a ferimentos e patologias, a história teve um final feliz. Os sobreviventes foram destinados a ONGs e agora a Polícia Civil aguarda o desfecho do inquérito. “Nós pedimos mais prazo para concluir o inquérito e dentro de alguns dias vamos encaminhá-lo ao Fórum”, disse Dinair José da Silva, delegado titular do DP de Crimes Ambientais.
Em julho de 2011, a reportagem do JC acompanhou o caso do cavalo Fuzil, que foi apreendido porque estava sofrendo maus-tratos. O seu dono o usava para tracionar uma carroça e, certo dia, ele não resistiu. Caiu em um terreno baldio do Jardim Marambá com diarreia e muitas feridas no lombo. Fuzil ficou sob a responsabilidade de uma entidade de proteção animal e não foi mais devolvido ao antigo dono.