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Mulher! Sementeira da terra!

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 3 min

Novos tempos, nova mulher. Mudou-se a essência, maquiada foi a alma, deram um banho de loja no matronado. Ano 2013, vejamos a nova mulher: estressada, mal-amada, esgotada fisicamente, quase que desequilibrada emocionalmente, correndo, tal qual o vento antes da tempestade, em busca da beleza artificial e sedenta por conquistas, onde objetivo maior é a realização pessoal. Que luta é esta, sem o mínimo de qualidade de vida ? Sem tempo para conversar com os filhos, com os pais, até mesmo com o companheiro? Que realização é esta, cujo preço há muito onerado, cada vez mais exige das filhas de Eva postura de terceiro "Reich"? Diuturnamente a fingir satisfação, exibindo sorriso fabricado para não demonstrar o represar das lágrimas? Na tentativa de aparentar felicidade, sequer nota, esta mulher atarefada, a alma agoniada em busca de um abraço. Coagida a provar para a sociedade que está profissionalmente preparada, que possui poder aquisitivo para adquirir tudo o que a mídia oferece, enfim, auto-suficiente e senhora do mundo moderno. Que sandice! Por trás, na coxia da vida, quando esta polivalente filha de Deus se depara com as luzes da ribalta apagadas e descobre que a platéia se foi, vê que os filhos cresceram e sequer notou. Percebe que os pais já partiram e não teve tempo de zelar por eles. Os netos também cresceram sem as delícias do colo aconchegante da vovó. Começa a notar nossa heroína, que o dinheiro conquistado quitou as dívidas para com os vendedores de ilusão, mas o tempo, guardião da vida, perdido com tantos compromissos, foi depositando um débito impagável de sentimentos, carinhos, momentos de aconchegos, palavras que não foram ditas na hora certa por falta de tempo, a solidariedade que escapou pelos vãos dos dedos, tudo foi deixado esquecido num triste coração, agora com inúmeras gavetas vazias. Na avaliação final o que resta? Uma neurose sem fim, um gélido desamor, uma distância de tudo, um sentimento de impotência que modernamente denominamos de depressão e que todos sabemos ser um imenso oceano sem o brilhar das águas, ou seja, a sequidade da alma. Infelizmente o que a mulher precisa descobrir desde tenra idade é saber avaliar prioridades, o que é de maior relevância para ser feliz sempre. Qual o motivo que leva esta heroína a viver dividida, esquecida, mutilada e triste, num canto qualquer do presídio do novo século: o grande átrio do descontentamento, onde a bruxa má do modernismo, insinuante e pérfida, oferece a maçã da competição desenfreada? E, ao provar do fruto tentador, surge a super mulher do século vinte e um: sedenta por mais um diploma, mais uma promoção, neurótica, faminta, esquálida, desnutrida e "siliconada", de braços dados com o "botox", o grande ilusionista da modernidade. Mas, quando diante do grande espelho de cristal de nossas vidas, estarrecida depara com a grande verdade: as rugas da alma, marcantes e atrevidas ali resistem e ela sabe que infelizmente para estas marcas a medicina moderna não oferece solução. Então, nossa mulher poderosa, recostada na íngreme muralha da realidade, questiona: Onde deixei meu coração? Imperativo ignorar sua essência para viver diuturnamente a competir com o homem? Transformar, quem deveria ser amigo e companheiro, num adversário de guerra? Viver numa trincheira, em constante estado de alerta, com duas pedras nas mãos aguardando o ataque? Qual o motivo desta acirrada concorrência, se a mulher é e sempre será o alicerce da humanidade, a grande sementeira da terra?

Não seria mais gratificante empunhar o grande estandarte da conquista maior, onde na trama e urdidura da missão cumprida, exibisse rebordado com fios de luz sobre a seda pura da paz, o grande lema que impulsiona o mundo:

Mulher! Deusa da natureza! Guardiã do belo!

Terra fértil, sementeira em céu aberto, solo do mundo, árvore da humanidade, de onde brotam os homens, o amor e a bondade!

A autora, Valderez de Mello, é advogada, pedagoga, psicopedagoga, poetisa e escritora. Autora do livro: A Velha adormecida

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