Douglas Reis |
|
|
Autoridades e imprensa durante apresentação da Central de Polícia Judiciária; Diju começa segunda-feira, dia 8 |
Autoridades e imprensa conheceram ontem, oficialmente, a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru. Com expectativa de aglutinar e já dar início ao funcionamento de todas as delegacias da cidade em um mesmo prédio até o dia 24 de abril, a nova estrutura, além de prometer atendimento mais eficaz à população, deve tornar-se um marco na otimização de alguns serviços realizados até mesmo pela Polícia Militar (PM).
Em entrevista ao Jornal da Cidade, o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Walter Oliveira, informa que, com a chegada da nova delegacia, uma nova estratégia será adotada pela PM com relação aos registros de boletins de ocorrência feitos por militares.
Na prática, a ação nomeada pelo comandante como “Poupatempo” permitirá a liberação dos policiais militares minutos após a transmissão dos dados da ocorrência para outro PM, que será encarregado pelo registro do caso diante de agentes da Polícia Civil.
“Atualmente, nosso pessoal perde muito tempo para registrar uma ocorrência. Alguns chegam a passar a noite esperando pela elaboração do boletim de ocorrência (BO). Agora, teremos um policial específico que ficará nessa sala encarregado de receber as informações e registrá-las, liberando os militares para voltarem ao patrulhamento”, explica o comandante do 4º BPM-I, enfatizando o benefício que a ação trará à população ao permitir melhor fluidez do patrulhamento em todo município.
Flagrantes
A transmissão de dados e informações, entretanto, só poderá ser feita nos casos em que não haja flagrantes; caso contrário, os policiais precisarão acompanhar todo o processo.
Ainda de acordo com o comandante, mesmo assim, a fluidez do patrulhamento não seria afetada, visto que 90% das ocorrências registradas por policiais hoje não seriam flagrantes.
Sem data
A nova sede da polícia na cidade ainda não possui uma data oficial para inauguração, que dependerá das agendas de autoridades que poderão estar presentes no evento, como o secretário de Estado de Segurança Pública e o governador Geraldo Alckmin.
Apesar disso, segundo explica Mourão, as delegacias possuem um prazo para mudança até o dia 24 de abril.
A integração da polícia na cidade faz parte do projeto de reengenharia da Polícia Civil determinado pelo governo do Estado. A proposta é que, juntas, as unidades possam funcionar de maneira multidisciplinar, mais ágil e racional, com menor custo e maior qualidade de atendimento.
Sede garantirá eficiência, de acordo com delegados
Conforme o JC adiantou em suas últimas edições, a Delegacia da Infância e Juventude (Diju) será a primeira a ser transferida, com data de mudança prevista para a próxima segunda-feira, dia 8. Já o plantão será o último deslocado, por ser considerado mais traumático pelo atendimento ininterrupto à população.
“A Polícia Civil de Bauru não tinha um lugar adequado para se reunir e isso dificultava nosso trabalho. A informação deve ser disseminada entre os policiais para que o trabalho de inteligência se desenvolva da melhor forma. Quem tem a ganhar com isso é a própria população, que vai andar um pouquinho mais, mas terá um serviço muito mais eficaz”, considera o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo (Deinter-4), Benedito Antônio Valencise.
“É uma nova filosofia que pretende tornar o trabalho da polícia mais sólido e eficiente. O auditório possui estrutura que permitirá nos reunirmos para discutir casos de repercussão, por exemplo”, avalia o delegado seccional Marcos Mourão.
Além disso, o delegado Roberval Fabbro, titular da Diju e responsável pela administração geral da CPJ, destaca que a integração trará mais agilidade nos processos.
“Teremos um cartório central que atenderá a demanda de todas as delegacias e distribuirá os processos para outros 20 cartórios. Já os casos com autoria desconhecida serão encaminhados para investigação no setor específico”, completa.
Estrutura
O atendimento ao público será realizado pela entrada principal do prédio, localizada na quadra 23 da avenida Rodrigues Alves. O amplo saguão possuirá espaço para acomodar mais de 60 pessoas sentadas.
O atendimento inicial será realizado por meio de guichês. Os cartórios, assim como alguns gabinetes, sala de audiências, sala da PM - que terá entrada pela lateral do prédio - e sala do Núcleo Especial Criminal (Necrim), estão concentrados no piso térreo. Haverá também, no térreo, uma sala designada para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de uma sala com psicóloga, gabinete do delegado plantonista, sala para reconhecimento de suspeitos com vidro espelhado - que não permite a identificação da vítima - e cinco celas provisórias, que separarão os presos por idade e sexo. Já no subsolo estão os refeitórios e sanitários para os funcionários, uma sala ampla que acomodará investigadores de todas as delegacias, uma sala de armazenamento de armas com sistema de abertura por digitais e locais para interrogatório, além de outras duas celas provisórias.
No 1º piso se concentram os gabinetes dos delegados titulares das diversas delegacias, uma sala para armazenamento de objetos e entorpecentes apreendidos e um auditório para reuniões.
|
