Tribuna do Leitor

Obscurantismo


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Aumentam diariamente os sinais que mostram o crescimento das forças do obscurantismo no Brasil. Na cerimônia de lançamento da versão para a internet de parte do arquivo do DOPS, o governador de São Paulo, numa clara iniciativa de afrontar o significado do ato que presidia, leva, em posição de destaque, seu secretário particular, notório defensor das arbitrariedades cometidas pela quartelada de 64. Num mesmo ato, a principal figura política do Estado sinaliza que é porto seguro para as viúvas da ditadura e afronta um dos sentidos fundantes da Constituição de 88: a redemocratização do País.

Na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, as barganhas políticas do PT levam para sua presidência um deputado que defende a perpetuação de formas de opressão às minorias. Suas declarações mostram que ele pretende que a Comissão atue de forma oposta aos fins para os quais foi instituída. O primeiro ato formal de sua gestão foi o de proibir a entrada de público nas sessões. Uma Comissão de Direitos Humanos que proíbe a manifestação pública é o que mesmo? Dado o histrionismo de seu presidente, poder-se-ia dizer que ela transformou-se num palco do absurdo. Mas ali não se trata de teatro, e sim um lugar que a bancada evangélica escolheu para por em prática política, portanto de poder, suas concepções obscurantistas.

O desserviço político que o PT (e seus aliados de "esquerda") tem prestado ao Brasil é incalculável. Desmobilizaram uma série de organizações populares, em especial o movimento sindical combativo, barganham politicamente com finórios representantes da ditadura e da corrupção e subvertem o ideário que lhe deu origem, transformando-se no seu oposto. Isso tem gerado confusão e despolitização em amplos setores dos trabalhadores.

É chegada a hora em que as forças progressistas, cujo núcleo é a classe trabalhadora, deva aglutinar-se para voltar às ruas. Em combate ao obscurantismo, várias manifestações populares têm acontecido, porém em torno de interesses (legítimos) particularizados. A tendência é sua aglutinação em um movimento de combate político mais geral, mas para isso é preciso que suas organizações e lideranças dêem um passo à frente.

Geraldo A. Bergamo, professor aposentado

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