Tribuna do Leitor

Inundações


| Tempo de leitura: 2 min

Um dia um amigo comprou um terreninho: "x" metros de frente por "y" de lado. Aí fez uma casinha: "x-a" de frente por "y-b" de lado. O resto do terreno ficou sem construção. Ele cimentou todo esse espaço. Morando, aí ele observava a chuva que caía e a água do telhado que descia pelos condutores, deslizando pelo cimentado e deste para a rua. Ficava todo alegre: casinha nova! Um dia deu uma chuva muito grande na cidade. Nas ruas, corria um rio d?água. Ele pensou: - Não pode ser somente os pingos que vêm das nuvens e que caem nas ruas os causadores desse mar d?água!

No dia seguinte, a notícia: inundada a parte baixa da cidade. Automóveis empurrados uns contra os outros pela correnteza. Uma pessoa ia sendo levada pelas águas. Não fosse um valente bombeiro saltar-lhe em socorro e, munido de uma corda, tê-la agarrado e ambos puxados pelos seus colegas de trabalho, teríamos mais uma vítima.

Refletindo sobre o fato, não custou muito ao meu amigo dar com a coisa: também são as águas que saem dos quintais e que vão para as ruas, tal como ocorre com relação à minha casinha, que fazem a enchente. Estiando o tempo, acabou com o quintal cimentado. Ficou um quintal de terra com apenas um beiralzinho em torno da casa para a movimentação dos moradores. Fez ele nesse quintal um jardinzinho que, cercado de muretinhas adequadamente dispostas, fazia com que a água vinda do telhado fosse para o jardim, e não para a rua. Após cada chuva formavam-se no jardim pequenos lagos d?água, por sinal limpinhos, coisa maravilhosa! Meu amigo ficou feliz: - o que eu podia fazer eu fiz, dizia. E dormia com a consciência tranquila. Um quarteirão (quadra onde se constroem as casas) é quase 3 vezes maior que a faixa quadrangular que o circunda.

Euclydes de Carvalho

Comentários

Comentários