Política

Favela do Jd. Europa cobra dignidade

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O nome remete ao continente associado ao desenvolvimento e ao que era conhecido como ‘primeiro mundo’. O entorno é de luxo, com condomínios de alto padrão. A região da cidade é a chamada de Sul, tida como a mais valorizada. No entanto, a realidade encarada pelas 200 famílias que vivem na favela do Jardim Europa é outra: dura e cruel. A situação se tornou ainda pior com a queda da ponte que ligava as duas partes da comunidade.

Pessoas, inclusive crianças, são expostas à água contaminada por esgoto do córrego que corta o local. A ponte de madeira que existia no local pendeu há seis anos, mas caiu definitivamente há alguns meses, por conta das fortes chuvas que atingiram a cidade. As condições precárias levaram parte dos moradores da favela a reivindicar soluções na sessão da Câmara Municipal de ontem.

Rosalina de Souza Guedes, 65 anos, conta que, após o contato com o esgoto, seus netos têm ficado doentes. “Eles precisam passar por lá para ir à escola. Quando chove, fica impossível. O problema é que eles têm coceira no pé e já deu diarreia também”, conta a dona de casa, que vive na favela há 35 anos.

O zelador Roldiney Guedes, 34, diz que, para conseguir trabalhar, precisa dar a volta pela avenida Getúlio Vargas para não se sujar no esgoto. “Não tem outro jeito e isso leva quase uma hora a mais de deslocamento”.

Ele afirma que, há anos, a comunidade pede solução para o problema da ponte. “Mas a prefeitura afirma que vai gastar o dinheiro para regularizar nossa situação. Só que isso nunca acontece”.

Os moradores estavam ainda mais revoltados pelo fato de a estrutura de ferro para a ponte a ser instalada na favela do Jardim Europa já ter sido comparada pela Prefeitura de Bauru. Na sessão de ontem, o vereador Arildo Lima Júnior (PSDB) mostrou imagens do material, que está na serralheria da administração municipal.

“A segregação não se faz só com muros altos. E é isso o que está acontecendo na favela do Jardim Europa: um apartheid. É um absurdo a ponte de ferro já estar lá e a prefeitura não instalar. Além disso, é muito morosa a solução definitiva para os problemas dessa comunidade. Ou regularizem a ocupação ou tirem as pessoas de lá”, discursou o tucano.

Ação do MPF

A vontade dos moradores da favela é clara: querem ficar onde estão, mas pedem condições dignas para viverem. Tramita ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) que pretende condenar a União a dar destinação legal às terras, que pertenciam à antiga Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa).

Parte dessa área de 29 hectares, localizada no Jardim Europa, foi ocupada irregularmente por famílias carentes. Outra parte abriga vegetação de preservação permanente, principalmente bioma de cerrado.

A ação, de outubro do ano passado, pede que em um prazo máximo de seis meses a União seja obrigada a regularizar a situação dos imóveis não operacionais ocupados por famílias carentes e garantir a preservação das áreas com cobertura vegetal.

O procurador Pedro de Oliveira Machado isenta a Prefeitura do Bauru da responsabilidade pela situação, já que obras de infraestrutura urbana dependem da regularização fundiária da área.

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