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Moda artesanal se profissionaliza

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Há pouco menos de um ano para terminar o curso de artes plásticas na Universidade Estadual Paulista (Unesp), a bauruense Natália Nogueira, 25 anos, já possui uma fonte de renda resultada de sua formação, voltada para o mercado da moda artesanal.

O ateliê improvisado em um quartinho aos fundos de sua casa na Vila Falcão surgiu de uma espécie de brechó itinerante, resultado da venda de roupas usadas e customizadas ao longo do 3º ano de faculdade.

Voltada para a linha de pesquisa que defende um processo de moda ecologicamente correto, a universitária aproveitou a tendência da sustentabilidade observada entre as ações dos colegas para fazer disso seu ganha-pão.

Desde 2012, ela passou a garimpar brechós de Bauru e região para comprar, customizar e comercializar roupas, principalmente calças, com um visual mais elaborado. Encomendas essas que chegam a ultrapassar os limites territoriais de Bauru lhe renderem, mensalmente, quase R$ 1.500,00.

“Pesquisando sobre moda, descobri que para produzir uma calça jeans é preciso 11 mil litros de água. Usamos uma técnica de tingimento vegetal. Além de aumentar a vida útil da roupa e beneficiar o meio ambiente, a customização transforma a peça personalizada em única”, comenta Natália, enfatizando o crescimento da procura dos estudantes pelo novo look, nomeado como moda “Ecochic”.


Busca pelo exclusivo

Costureiras a todo vapor na cidade são um sinônimo de sorte para pessoas como a assistente jurídica Carolina Lopes Cardoso, 29 anos, que após um ano de procura por profissionais da moda artesanal encontrou a costureira Sandra Perseguim para ajudá-la na confecção de peças exclusivas. “Gosto de estar na moda, mas com peças diferentes, mais ousadas e que sejam únicas. É difícil encontrar roupas com bons caimentos em grandes lojas, por isso prefiro dar uma olhada nos blogs por aí e pedir para que a roupa seja feita do meu jeito e sob medida”, defende Carolina.


A palavra da moda

Coordenador de cursos de moda em instituições da cidade desde 2001, o consultor de moda Odil Zepper, o Juba, aponta que a volta dos ateliês é considerada uma promessa no mercado.

O fast-fashion é a bola da vez, mas estudos de cool hunting e futurologia da moda apontam para o restart, ou seja, a promessa de retorno dos ateliês sob medida, das peças exclusivas e da importante relação entre o confeccionista direto com seu cliente. “Em passos miúdos, essa modalidade de negócio tem ganhado novos adeptos e, segundo os gurus do marketing, é uma promessa”, avalia Juba.

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