Ciências

O uso do celular provoca câncer?!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Internet

Relatório indicou a necessidade de novos estudos e cuidados ao usar o aparelho celular

Tem algo no ar além de aviões: os odores e energia dos amores, além de pássaros como beija-flores. No ar nem se imaginava que havia partículas invisíveis aos olhos em relação intensa e constante com nossas superfícies. Algumas batem nos corpos, outras atravessam-nos, quase ignorando-nos, mas algumas penetram e se perdem em seus meandros.

As radiações ao bater ou atravessar os corpos podem modificar as moléculas das células. O DNA está formado por uma sequência de letras químicas chamadas bases nitrogenadas. Cada letra faz parte de uma palavra da receita que ensina e faz a célula proliferar. Todos que cozinham sabe o estrago de uma palavra errada na receita. Cada receita ou informação no DNA se chama gene.

As radiações podem tirar ou deslocar as letras de lugar e as células perdem o controle da proliferação e mitoses desordenadas criando-se clones atípicos e invasores de células agressivas e malignas: ou cânceres. As radiações ionizantes representam uma das causas do câncer, como os raios solares ultravioletas B e os raios X que ao contatar os genes, mudam suas letras.

Celular e OMS

Um relatório da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da OMS (IARC) mostrou que o uso do celular por mais de 30 minutos ao dia por dez anos aumenta o risco de câncer no cérebro, como o glioma e o neuroma acústico. Celulares emitem radiações ou ondas eletromagnéticas não ionizantes esquentando as células “podendo” até mudar o DNA. A OMS classificou os celulares no grupo 2B de “agentes possivelmente cancerígenos” com outros 266, tais como pesticidas, produtos de limpeza a seco, conservas e café.

O relatório indicou a necessidade de novos estudos, mas há indícios de que o uso do celular deva ser feito com mais cuidados como:

1. Use o viva voz ou fones de ouvido,

2. Guarde o celular junto ao corpo com o lado do teclado em contato; a parte posterior recebe as radiações das chamadas,

3. Evite o uso pelas crianças. A espessura do crânio infantil é metade do adulto. Crianças tem mais proliferação celular que adultos, pois estão crescendo!

4. Quando o sinal estiver fraco não faça ligações, pois aumenta a potência do aparelho,

5. Priorize as mensagens escritas,

6. Não durma com o celular perto da cabeça,

7. Grávidas, deixem o celular longe da barriga,

8. Reduza o número e duração das ligações.

O governo desonerou de impostos os aparelhos produzidos no país que já tem mais celulares do que pessoas. Há muita controvérsia e pouca certeza. Pesquisa dinamarquesa no “Br Med J” em 2011 mostrou resultados contraditórios querendo mostrar que celulares não provocariam câncer. O professor Álvaro A. A. Salles da UFRS ressalta que nos manuais os fabricantes recomendam que os aparelhos sejam usados 1 a 2,5cm da cabeça e sugere: façamos celulares sem alto falantes, apenas com fones de ouvidos.

Todos estão expostos: nas ruas e próximo das antenas tem-se muitas radiações não ionizantes, assim como nas casas e empresas com rede sem fio. Na UFMG, pesquisa liderada por Adilza C. Dode revelou: pessoas que vivem até 100m de antenas de celulares tem risco 33% maior de morrer de câncer que a população em geral. Empresas e congresso querem tirar o direito das prefeituras legislarem sobre a instalação de antenas. Porque será?

Macaquinhos

Gandhi sempre carregava três bonecos macaquinhos chamados Mizaru, Kikazaru e Iwazaru ou cego, surdo e mudo que ensinam: não enxergues tudo que vês, não escutes tudo que ouças e não digas tudo que sabes. Estes bonecos chineses foram introduzidos no Japão por um monge no século 8.

O controvertido assunto tem elevados interesses econômicos, as evidências não permitem conclusões, mas cautela não faz mal a ninguém. A epidemiologista Devra Davis enfatizou que os celulares estão associados ao aumento do câncer e afirmou: vamos esperar os cadáveres para agir contra o celular? Assessora de Clinton e com 190 trabalhos, escreveu o livro ‘Disconnect’ e ainda fundou a ONG Environmental Health Trust para estimular uso e produção de celulares seguros.

Esta cientista não seguiu a mensagem dos macaquinhos: ainda bem que temos os corajosos e persistentes! Houve uma época que a sociedade duvidava que tabaco e álcool estavam associados ao câncer: os interesses econômicos eram muitos. Não podemos esquecer que enquanto a escravidão interessou, todos concordavam que os negros e índios não tinham alma, inclusive os religiosos e cientistas!

Eu, hein!

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