Marcelo Camargo/ABr |
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Plenário do Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, onde ocorre o julgamento |
A segunda testemunha a depor no julgamento do Massacre do Carandiru, o ex-detento Marco Antônio de Moura, afirmou que policiais atiravam em direção à cadeia de dentro de um helicóptero.
“Tinha um helicóptero com uma metralhadora atirando”, afirmou ele. “Tinha presos que estavam no telhado, tentando fugir. Todos foram atingidos por essas balas e morreram”.
Moura, que estava no quarto andar do Pavilhão 9 no dia do Massacre, afirmou que no momento que a polícia entrou na prisão, os presos tentaram correr para as celas. “Na minha cela, entraram uns 30. Fechamos a porta. Um policial chegou, colocou o cano da metralhadora (pela janela que fica na porta) e atirou. Uns dez foram atingidos, oito morreram”.
Ele foi atingido por um tiro no pé direito e ficou um mês internado num hospital que existia no Pavilhão 9 do Carandiru. Depois que os disparos pararam, conta ele, os policiais mandaram todos tirarem a roupa e se arrastarem nus pelos corredores. “A gente ia se arrastando, e eles dando bica, pontapé.”
No momento em que os presos eram levados para o pátio, os presos ouviam dos policiais “Deus cria, a Rota mata”, conta. E eram obrigados a gritar “Viva o Choque”. Muitos suplicavam “pelo amor de Deus”, afirmou.
Se entregariam
Os policiais atiraram em detentos que já estavam prontos para se entregar e não tinham relação com a briga que acontecia dentro do presídio, disse o agente penitenciário Moacir dos Santos, quarta testemunha a depor ontem. Ao todo, 111 presos foram mortos na ocasião.
A testemunha definiu o episódio como uma execução e disse ainda que mesmo após o Massacre, presos que já estavam no pátio, rendidos, nus, foram levados pela polícia de volta para o prédio para retirar corpos de mortos e acabaram fuzilados.
Santos era Diretor da Divisão de Segurança e Disciplina da Casa de Detenção e, no dia 2 de outubro de 1992, foi avisado por volta de 13h de uma briga que ocorria entre dois grupos rivais de detentos do Pavilhão 9.
Ele contou que a confusão envolvia cerca de cem dos mais de 2 mil presos do pavilhão. Esses dois grupos saíram em defesa de dois presos que começaram uma briga, cada um de uma facção, conhecidos pelos apelidos de “Barba” e “Coellho”.
O agente penitenciário foi ao local da briga para negociar com os detentos, ao lado de mais 10 funcionários. Mas, depois de 40 minutos de conversa, os presos diziam que a briga era entre eles e expulsaram os funcionários, sem tentar fazê-los de reféns ou machucá-los.
Neste momento, ele acionou o alarme de emergência e a Polícia Militar foi avisada.
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