Cultura

80 anos de história


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O Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), antigo asilo-colônia Aimorés, completou no dia 13 de abril 80 anos de referência no tratamento de hanseníase no Brasil. A comemoração é realizada com exposições, no próprio instituto, de obras raras, como papiros que retratam antigas teses e cotidianos dos doentes desde a idade média; microfilmagem de prontuários e cartas de pacientes internados no Estado de São Paulo; fotos históricas; visita pela “Pharmacia do Mirante” e pelo Museu do hospital. As apresentações são abertas ao público do dia 12 a 19 de abril, das 9h às 15h.

Além da data festiva, a exposição tem o objetivo de sensibilizar a população sobre os dados científicos e históricos de relevância internacional desenvolvidos em Bauru, segundo a pesquisadora científica do Lauro Noemi Garcia de Almeida Galan.

A pesquisadora explica que o acervo também pretende ressaltar as importâncias éticas e sociais de preservação do patrimônio científico e cultural. “As pessoas não conhecem as leis de proteção ao Patrimônio e divulgam fotos, prontuários, cartas dos pacientes sem respeitar os preceitos éticos que as guardam”.

A exposição tem curta duração devido às condições especiais de acondicionamento e armazenamento do patrimônio material e por questões éticas de liberação dos prontuários e cartas. Na apresentação, é possível o visitante descobrir como foi parte da vida de um familiar que se internou em um dos asilos-colônia de São Paulo.

Modelo paulista

O Lauro surgiu como iniciativa dos municípios da região noroeste, que formaram a Comissão Pró-Leprosos, ao angariar fundos na compra de uma fazendo de 400 alqueires para construção do antigo asilo-colônia Aimorés.

Nos anos 30, a ideia evoluiu quando o Estado de São Paulo criou o “Modelo Paulista” de isolamento na profilaxia de lepra. A medida possibilitou a expansão de grandes asilos no Estado, como Santo Ângelo (Mogi das Cruzes), Pirapitingui (Itu), Cocais (Casa Branca) e Aimorés (Bauru), todos administrados pelo Departamento de Profilaxia de Lepra (DPL) em São Paulo.

De acordo com a pesquisadora Noemi Galan, as verbas angariadas, o apoio governamental e a estrutura implantada facilitaram, no Estado de São Paulo, as pesquisas para a cura da doença. Os antigos asilos são referência internacional pelas pesquisas profiláticas e sua estrutura autossuficiente para os doentes, com as áreas reservadas para atividades agropecuárias, pequenas fábricas, oficinas e lazer interno com jardins, quadras esportivas, cassinos e bailes.

Atualmente, o Lauru é o único antigo asilo de São Paulo que se restringe às pesquisas, preservação do patrimônio e tratamento da hanseníase. (Colaboração: Kátia Kishi)

 

  • Serviço

  • Exposição dos 80 anos do Instituto Lauro de Souza Lima

    Período: até 19 de abril, das 9h às 15h

    Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, Km 225/226

    Telefone: (14) 3103-5900


    O que é a hanseníase?

    Conhecida como lepra, é uma doença causada por uma bactéria, com transmissão pelo contato direto com doentes sem tratamento. Doentes com tratamento médico não oferecem risco de transmissão.

    Os sintomas são sensação de formigamento, fisgadas, dormências nas extremidades, manchas brancas ou avermelhadas, caroços, perda de sensibilidade e diminuição da força muscular.

    Há cura com medicamentos via oral. O tratamento é gratuito.

    Para se prevenir da doença, ao perceber os sintomas, procure um médico. Pessoas que vivem com portadores da doença devem fazer exame dermato-neurológico.

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