Ao que parece, qualquer coisa pode servir de impulso para alegria: uma faixa de terra cultivada que surge de repente ao longo da estrada coberta por um milharal. A alegria pode estar à espreita adiante do perigo, quando se foi bastante corajoso para enfrentar uma situação e vencê-la. Pode vir de uma coisa simples, como acordar à noite num trem quando ele vai entrando numa estação e ouvir vozes que se dirigem umas às outras dentro da escuridão... e ver as fisionomias das pessoas que se abrem num sorriso à luz da lanterna do funcionário encarregado pelo aviso de chegada, no interior do vagão.
Pode vir de uma boa e antiga marchinha de carnaval: "Jardineira", "Mamãe eu quero", "Bebida não faz mal a ninguém", "Me dá um dinheiro aí..." Escrever na coluna "Tribuna do Leitor" é um bom motivo de alegria: sentimo-nos livres para ser nos mesmos; o sentimento de irreverência faz parte dela , assim como sentimentos de humildade e gratidão. A alegria pode vir quando não fugimos da vida: de suas tristezas, de suas lutas e de suas esperanças.
A pessoa que quer antes de mais nada evitar riscos não prepara acolhida para momentos de alegria. P.S. - Gostaria de agradecer ao dr. João P. Lima (leitor assíduo deste jornal) pelo telefonema de elogio...
Wanderley Brosco - ferroviário aposentado